MedEvo Simulado — Prova 2026
Priscila, 19 anos, sem queixas clínicas ou antecedentes mórbidos relevantes, realizou uma ultrassonografia pélvica transvaginal como parte de um check-up ginecológico. O laudo do exame descreveu um útero com contorno externo alterado, apresentando uma fenda profunda na região do fundo uterino (indentação superior maior que 1 cm) e duas cavidades endometriais divergentes que se comunicam com um único colo uterino, achado compatível com útero bicorno unicorne. Com base nos conhecimentos sobre a anatomia e embriologia do trato genital feminino, a alteração descrita decorre de uma falha no seguinte processo:
Útero bicorno = falha na fusão parcial dos ductos paramesonéfricos (Müller) → indentação fúndica > 1cm.
O útero bicorno decorre da fusão incompleta dos ductos paramesonéfricos na porção superior, resultando em duas cavidades divergentes que se comunicam com um único colo, apresentando fenda fúndica profunda.
O desenvolvimento do trato genital feminino é um processo complexo que envolve a formação, fusão e posterior canalização dos ductos paramesonéfricos (Müller). Por volta da 6ª semana de gestação, esses ductos migram medialmente para se fundirem na linha média, formando o primórdio uterovaginal. A falha nesse processo de fusão resulta em anomalias como o útero didelfo (falha total) ou útero bicorno (falha parcial). Na prática clínica, a diferenciação entre as malformações é feita principalmente pela avaliação do contorno fúndico externo. O útero bicorno apresenta uma indentação superior maior que 1 cm, visível em exames de imagem como ultrassonografia 3D ou ressonância magnética. Compreender a embriologia é fundamental para o diagnóstico correto e para o aconselhamento reprodutivo adequado das pacientes.
O útero bicorno resulta de uma falha na fusão lateral dos ductos paramesonéfricos (Müller), o que altera o contorno externo do fundo uterino (indentação > 1cm). Já o útero septado ocorre devido a uma falha na reabsorção do septo uterovaginal após a fusão completa dos ductos, mantendo um contorno externo uterino normal ou com indentação mínima (< 1cm). Essa distinção é crucial, pois o útero septado está mais associado a perdas gestacionais e possui tratamento cirúrgico (metroplastia), enquanto o bicorno raramente exige intervenção.
O útero bicorno é classificado como uma malformação Mülleriana de Classe IV (pela classificação da ASRM). Ele pode ser subdividido em bicorno bicollis (dois colos uterinos) ou bicorno unicollis (um único colo, como descrito no caso). A característica patognomônica na imagem é a presença de dois cornos uterinos divergentes com uma fenda fúndica superior profunda, diferenciando-o do útero didelfo, onde há separação completa de dois corpos e dois colos uterinos independentes.
Embora muitas mulheres com útero bicorno tenham gestações bem-sucedidas, a condição está associada a um risco aumentado de apresentações fetais anômalas (como a pélvica), trabalho de parto prematuro e restrição de crescimento intrauterino devido à redução do espaço na cavidade endometrial. Diferente do útero septado, o risco de abortamento de repetição no primeiro trimestre é menor, mas a vigilância pré-natal deve ser intensificada para monitorar o comprimento cervical e o crescimento fetal.
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