Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2023
Recém-nascido masculino, nascido de parto vaginal em domicílio, a termo, é encaminhado ao hospital para cuidados após o nascimento com 18 horas de vida. Ainda não eliminou mecônio. Está estável, com abdome ainda flácido, porém apresentou alguns episódios de vômitos. Durante a avaliação pelo pediatra, foi encontrado o exame físico perineal abaixo. Sobre o caso acima, assinale a correta.
Anomalia anorretal em RN com vômitos e sem mecônio → colostomia derivativa (ex: Peña) para descompressão e planejamento cirúrgico definitivo.
A não eliminação de mecônio e vômitos em um recém-nascido com anomalia perineal sugerem uma malformação anorretal. A conduta inicial visa descompressão intestinal e estabilização, sendo a colostomia derivativa o procedimento de escolha antes da cirurgia corretiva definitiva.
As malformações anorretais (MAR) são anomalias congênitas que afetam o ânus e o reto, com incidência de 1:5000 nascidos vivos. A apresentação clínica em recém-nascidos varia desde a ausência de orifício anal visível até fístulas perianais. A não eliminação de mecônio nas primeiras 24-48 horas, distensão abdominal e vômitos são sinais de alerta que indicam obstrução intestinal e a necessidade de intervenção imediata. O diagnóstico inicial é clínico, baseado no exame físico perineal. A avaliação complementar pode incluir radiografias para identificar outras anomalias associadas (VACTERL) e o invertograma para classificar a altura da lesão, embora este último não deva atrasar a conduta em casos obstrutivos. A classificação de Wingspread é amplamente utilizada para guiar o tratamento. O tratamento das MAR é cirúrgico. Em casos de obstrução intestinal ou lesões altas, a colostomia derivativa (como a colostomia à Peña) é a primeira etapa, permitindo a descompressão e o crescimento do bebê antes da anorretovaginoplastia sagital posterior (PSARP) definitiva. Em lesões baixas sem obstrução, a correção primária pode ser considerada. O prognóstico depende da complexidade da malformação e da presença de anomalias associadas.
Os sinais incluem ausência de orifício anal visível, não eliminação de mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida, distensão abdominal e vômitos.
A conduta inicial é a estabilização do paciente e a realização de uma colostomia derivativa (ex: colostomia à Peña) para descompressão intestinal, antes da cirurgia corretiva definitiva.
O invertograma é um exame radiológico que pode ser útil para classificar a altura da lesão (alta ou baixa), mas deve ser realizado após a estabilização do paciente e não é a primeira conduta em casos com obstrução intestinal.
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