USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Neonato com o achado evidenciado na figura a seguir, apresenta eliminação de mecônio em períneo a partir do segundo dia de vida: Assinale a alternativa correta em relação à conduta cirúrgica recomendada para esse caso:
Mecônio no períneo em neonato → Malformação anorretal baixa → Proctoplastia sem colostomia.
Malformações anorretais baixas permitem a correção cirúrgica primária (proctoplastia) por via perineal, dispensando a necessidade de colostomia prévia.
As malformações anorretais (MAR) compõem um espectro de anomalias congênitas que variam de simples membranas anais a cloacas complexas. A avaliação inicial foca na identificação de fístulas. Se o mecônio é visível no períneo, a malformação é classificada como baixa. O exame físico nas primeiras 24 horas é crucial, pois a pressão do mecônio pode demorar a evidenciar a fístula. O tratamento das MAR baixas é a anoplastia ou proctoplastia primária. Diferente das MAR altas, onde a anorretoplastia sagital posterior (ARPSP) de Pena é frequentemente precedida por colostomia, as baixas permitem resolução definitiva precoce, melhorando o prognóstico funcional e reduzindo morbidade cirúrgica.
A colostomia está indicada em malformações anorretais de alta complexidade ou 'altas', onde não há evidência de fístula perineal ou onde a anatomia impede a correção primária segura no período neonatal. Ela serve para descompressão e proteção da futura reconstrução em três tempos.
Clinicamente, a presença de mecônio no períneo, a 'alça de balde' (bucket handle) ou uma membrana anal translúcida sugerem malformação baixa. Nestes casos, o reto atravessa o complexo muscular elevador do ânus, facilitando a correção perineal direta sem necessidade de laparotomia.
A técnica envolve a ressecção da ponte cutânea ou abertura da membrana, seguida de proctoplastia (anoplastia), posicionando o orifício anal dentro do complexo esfincteriano, geralmente sem necessidade de colostomia ou anorretoplastia sagital posterior formal.
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