TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere que um paciente é avaliado em ambulatório devido a quadro de febre persistente, e retorna com exames solicitados na última consulta. Exames: Hb =7,8; Ht = 36%; GL = 9.800; Plaquetas = 102.000; BT: = 3,4; BI = 2,9; LDH = 1.190; reticulócitos = 4,5%; haptoglobina = 8: TGO = 34; TGO = 36; FA = 104; GGT = 64. Após avaliação inicial, foi realizada hematoscopia com o seguinte achado: Sobre o achado em questão, assinale a alternativa incorreta:
Malária no Brasil: P. vivax é o mais comum; P. falciparum é o mais grave.
Diferente do P. falciparum, as espécies P. vivax e P. ovale possuem formas latentes hepáticas (hipnozoítos) que podem causar recaídas meses após a infecção inicial.
A malária permanece como uma das principais doenças parasitárias de impacto global. No contexto clínico, a apresentação com febre persistente, anemia hemolítica e plaquetopenia em paciente com histórico de viagem para áreas endêmicas deve sempre levantar a suspeita. A diferenciação entre as espécies é vital: enquanto o P. falciparum associa-se a fenômenos de citoaderência e sequestro capilar (causando malária cerebral e insuficiência renal), o P. vivax destaca-se pela morbidade das recaídas. O Plasmodium malariae, mencionado na questão, é caracterizado por uma parasitemia geralmente baixa e um ciclo eritrocítico mais longo (febre quartã, a cada 72 horas). Epidemiologicamente, é a espécie menos frequente. O conhecimento do período de incubação (12-14 dias para falciparum) e das particularidades biológicas de cada espécie orienta não apenas o tratamento individual, mas as estratégias de controle vetorial e vigilância epidemiológica.
O Plasmodium vivax é a espécie mais prevalente no Brasil, sendo responsável pela grande maioria dos casos notificados, especialmente na região amazônica. Ele é conhecido por causar a 'febre terça' e pela capacidade de formar hipnozoítos no fígado, o que exige o uso de primaquina no tratamento para evitar recaídas. O P. falciparum é a segunda espécie mais comum e a principal causa de malária grave e óbitos.
Hipnozoítos são formas latentes do parasita que permanecem no tecido hepático após a infecção inicial. Eles podem 'despertar' semanas ou meses depois, reiniciando o ciclo eritrocítico e causando recaídas clínicas mesmo sem nova picada do mosquito Anopheles. Apenas as espécies Plasmodium vivax e Plasmodium ovale são capazes de produzir hipnozoítos, o que torna o tratamento dessas espécies mais complexo, exigindo drogas esquizonticidas hepáticas.
A malária classicamente apresenta sinais de anemia hemolítica e plaquetopenia. Nos exames, observa-se queda da hemoglobina, elevação de bilirrubina indireta, aumento expressivo de LDH e redução da haptoglobina, acompanhados de reticulocitose (tentativa da medula compensar a hemólise). A plaquetopenia é um achado muito frequente e auxilia na suspeição clínica em áreas endêmicas. O diagnóstico definitivo é feito pela gota espessa ou teste rápido.
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