Toxicidade por Cloroquina: Mecanismo de Dano no EPR

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Paciente com artrose faz uso de altas doses de cloroquina há anos. Acredita-se que essa droga pode causar mau funcionamento do epitélio pigmentar retiniano, uma vez que:

Alternativas

  1. A) Impede a síntese de melanina
  2. B) Impede a fagocitose dos discos dos segmentos externos dos fotorreceptores
  3. C) Impede o transporte de íons intracelulares
  4. D) Favorece a intensa troca de calor entre os fotorreceptores e a coroide

Pérola Clínica

Cloroquina → ↑ pH lisossomal no EPR → inibe fagocitose de discos dos fotorreceptores → degeneração.

Resumo-Chave

A cloroquina causa toxicidade ao impedir que o EPR processe os restos metabólicos dos fotorreceptores, levando ao acúmulo de detritos e morte celular secundária.

Contexto Educacional

A maculopatia por antimaláricos é uma das toxicidades oculares mais temidas devido ao seu caráter irreversível e potencial de cegueira central. O risco aumenta significativamente com doses diárias superiores a 5mg/kg de peso real para hidroxicloroquina ou após 5 anos de uso contínuo. Fisiopatologicamente, o EPR falha em sua função de 'limpeza' dos fotorreceptores. O acúmulo de material não digerido gera estresse oxidativo e atrofia, culminando no aspecto clássico de 'olho de boi' (bull's eye maculopathy) na fundoscopia tardia.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo fisiopatológico da toxicidade por cloroquina?

A cloroquina e a hidroxicloroquina são bases fracas que se acumulam nos lisossomos do EPR, elevando o pH e inibindo enzimas hidrolíticas. Isso impede a fagocitose e digestão dos discos dos segmentos externos dos fotorreceptores, causando acúmulo de lipofuscina e degeneração celular.

Quais os principais exames para triagem de toxicidade?

Os exames padrão ouro incluem o Campo Visual 10-2 (ou 24-2 em pacientes asiáticos), o SD-OCT (procurando o sinal do 'disco voador') e a Autofluorescência de fundo, que detecta precocemente o sofrimento do EPR.

A interrupção da droga reverte o dano retiniano?

Infelizmente, não. Devido à alta afinidade da droga pela melanina do EPR, ela permanece no tecido por anos. A toxicidade pode inclusive progredir mesmo após a suspensão do medicamento, tornando a detecção precoce crucial.

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