Macroadenoma Hipofisário: Diagnóstico e Tratamento Inicial

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 28 anos, nuligesta, procura atendimento médico com queixas de cefaleia, perda visual gradual e ganho de peso progressivo sem resposta a dietas. Sua última menstruação foi há 4 meses, e referia ter apresentado alguns episódios de galactorreia espontânea. Exame físico: peso de 99,2 Kg, altura de 1,75 m, índice de massa corporal: 32,4 Kg/m², PA: 120x70 mmHg (deitada e em ortostase), FC: 72 bpm, fossa supraclavicular preenchida, ausência de giba ou pletora facial, ausculta pulmonar e cardíaca normais, abdome globoso e sem estrias violáceas, sem galactorreia à expressão mamária. Investigação laboratorial trouxe os seguintes resultados: hemoglobina: 11,3; hematócrito: 35%; plaquetas: 396.000; glicemia: 85,77 mg/dL; colesterol total: 176,26; triglicérides: 95,03; HDL: 39,93; LDL: 117; ureia: 28; creatinina: 0,79; sódio: 140; potássio: 3,99; prolactina: 78 ng/ml (VR: de 5 a 26) normal e diluída; FSH: 3,49 mui/ml (VR: de 3,0 a 8,0), T4 livre: 0,82 ng/dl (VR: 0,7 a 1,48); TSH: 1,81 (VR: 0,35 a 4,94). Sua ressonância magnética de sela túrcica é mostrada na figura. Qual o diagnóstico provável e o tratamento inicial?

Alternativas

  1. A) Prolactinoma - antagonista dopaminérgico.
  2. B) Prolactinoma - cirurgia transesfenoidal.
  3. C) Macroadenoma não secretor - radioterapia.
  4. D) Macroadenoma não secretor - cirurgia transesfenoidal.

Pérola Clínica

Macroadenoma hipofisário com prolactina moderadamente elevada e sintomas de massa → provável 'stalk effect' de adenoma não secretor, tratamento inicial é cirurgia transesfenoidal.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas de massa (cefaleia, perda visual) e disfunção endócrina (amenorreia, galactorreia, hiperprolactinemia). A ressonância magnética revela um macroadenoma. O nível de prolactina de 78 ng/mL é elevado, mas não tão alto quanto o tipicamente visto em um prolactinoma macroadenoma (>200 ng/mL). Este cenário, com macroadenoma e hiperprolactinemia moderada, sugere um 'efeito de haste' (stalk effect) causado por um adenoma não secretor comprimindo a haste hipofisária, o que inibe a dopamina e leva ao aumento da prolactina. Nesses casos, a cirurgia transesfenoidal é o tratamento inicial para descompressão e alívio dos sintomas de massa.

Contexto Educacional

Os adenomas hipofisários são tumores benignos que podem causar uma variedade de sintomas devido à sua localização e potencial de secreção hormonal. Macroadenomas, definidos como tumores >10 mm, frequentemente se manifestam com sintomas de massa, como cefaleia e distúrbios visuais (hemianopsia bitemporal), devido à compressão do quiasma óptico. Além disso, podem levar a disfunções endócrinas, seja por hipopituitarismo ou por secreção hormonal excessiva, como no caso dos prolactinomas. A compreensão da apresentação clínica e dos achados de imagem é fundamental para o diagnóstico correto. A fisiopatologia da hiperprolactinemia em macroadenomas pode ser complexa. Enquanto prolactinomas primários secretam grandes quantidades de prolactina (frequentemente >200 ng/mL), outros macroadenomas (não secretores) podem causar hiperprolactinemia moderada (geralmente <100-150 ng/mL) através do 'efeito de haste' (stalk effect). Este fenômeno ocorre quando o tumor comprime a haste hipofisária, impedindo que a dopamina hipotalâmica (que inibe a secreção de prolactina) alcance as células lactotróficas da hipófise anterior. O diagnóstico é confirmado pela dosagem hormonal e ressonância magnética da sela túrcica. O tratamento depende do tipo e tamanho do adenoma, bem como dos sintomas. Para prolactinomas, os agonistas dopaminérgicos (cabergolina, bromocriptina) são a primeira linha, frequentemente resultando em redução do tumor e normalização da prolactina. No entanto, para macroadenomas não secretores ou aqueles com 'stalk effect' que causam sintomas de massa significativos (especialmente perda visual), a cirurgia transesfenoidal é o tratamento de escolha para descompressão. A radioterapia pode ser considerada como terapia adjuvante ou para tumores residuais/recorrentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de um macroadenoma hipofisário?

Os sintomas de um macroadenoma hipofisário podem ser divididos em efeitos de massa (cefaleia, perda visual por compressão do quiasma óptico) e disfunções hormonais (hipopituitarismo, hiperprolactinemia por 'stalk effect' ou secreção hormonal específica do tumor).

O que é o 'stalk effect' na hiperprolactinemia?

O 'stalk effect' ocorre quando um tumor hipofisário (geralmente não secretor) comprime a haste hipofisária, interrompendo o fluxo de dopamina do hipotálamo para a hipófise anterior. Como a dopamina inibe a secreção de prolactina, sua interrupção leva a um aumento moderado dos níveis de prolactina.

Quando a cirurgia transesfenoidal é o tratamento inicial para macroadenomas?

A cirurgia transesfenoidal é o tratamento inicial para macroadenomas hipofisários que causam sintomas de massa significativos, como perda visual, ou para tumores não secretores. Em prolactinomas, os agonistas dopaminérgicos são a primeira linha, a menos que haja apoplexia ou falha terapêutica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo