Luxação Atlantoaxial na Artrite Reumatoide: Diagnóstico

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 50 anos, com artrite reumatoide de longa data, em tratamento irregular, refere fraqueza súbita iniciada há 4 horas. Exame físico: pupilas isocóricas; paresia grau II nos 4 membros com hiperreflexia; abdome com bexiga aumentada e palpável. A hipótese diagnóstica mais provável é: 

Alternativas

  1. A) luxação da articulação atlantoaxial.
  2. B) acidente vascular encefalico isquêmico de ponte.
  3. C) leucoencefalopatia multifocal progressiva.
  4. D) vasculite de sistema nervoso central.

Pérola Clínica

AR de longa data + fraqueza súbita + tetraparesia + hiperreflexia + bexiga neurogênica → Luxação atlantoaxial.

Resumo-Chave

Pacientes com artrite reumatoide de longa data, especialmente com tratamento irregular, têm risco aumentado de instabilidade da coluna cervical, como a luxação atlantoaxial. Isso pode levar à compressão medular, manifestando-se com tetraparesia, hiperreflexia e disfunção autonômica como a bexiga neurogênica.

Contexto Educacional

A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune crônica que afeta predominantemente as articulações, mas também pode ter manifestações extra-articulares significativas, incluindo o envolvimento neurológico. Uma das complicações mais graves e potencialmente devastadoras é a instabilidade da coluna cervical, particularmente a luxação atlantoaxial (subluxação entre C1 e C2). Essa condição é mais comum em pacientes com AR de longa data e controle inadequado da doença, devido à inflamação crônica que leva à destruição ligamentar e óssea na região cervical superior. A compressão medular resultante da luxação atlantoaxial pode se manifestar de forma aguda ou subaguda, com um espectro de sintomas neurológicos. O quadro clínico típico inclui dor cervical, rigidez, e sinais de mielopatia cervical, como fraqueza nos quatro membros (tetraparesia), hiperreflexia, espasticidade, e alterações sensitivas. A disfunção autonômica, como a bexiga neurogênica (bexiga aumentada e palpável), é um sinal de compressão medular mais extensa e grave, indicando um comprometimento significativo da função medular. O diagnóstico precoce é crucial para prevenir danos neurológicos irreversíveis. A suspeita clínica em pacientes com AR e sintomas neurológicos deve levar à investigação imediata com exames de imagem, como radiografias dinâmicas da coluna cervical, tomografia computadorizada e ressonância magnética. O tratamento pode variar desde a imobilização cervical e manejo conservador até a intervenção cirúrgica para descompressão e estabilização da coluna, dependendo da gravidade da compressão medular e da progressão dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da luxação atlantoaxial em pacientes com artrite reumatoide?

Os sintomas incluem dor cervical, rigidez, crepitação, e sinais de compressão medular, como tetraparesia (fraqueza nos quatro membros), hiperreflexia, parestesias, alterações de marcha e, em casos graves, disfunção autonômica como bexiga neurogênica.

Por que a artrite reumatoide aumenta o risco de luxação atlantoaxial?

A artrite reumatoide causa inflamação crônica e sinovite que pode levar à destruição de ligamentos e articulações na coluna cervical superior, especialmente a atlantoaxial (C1-C2). Isso resulta em instabilidade e subluxação, podendo comprimir a medula espinhal.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de luxação atlantoaxial em paciente com AR?

A conduta inicial envolve imobilização cervical, avaliação neurológica detalhada e exames de imagem como radiografias dinâmicas da coluna cervical, tomografia computadorizada e ressonância magnética para confirmar o diagnóstico e avaliar o grau de compressão medular. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo