UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2016
Adolescente de 14 anos estava andando de skate na rua e foi atingida por um motociclista em alta velocidade. Foi atendida pelo Serviço Médico de Urgência (SAMU). Durante avaliação inicial. feita pelo médico assistente, estava consciente, eupnéica e queixava-se de muita dor no pescoço e na coxa direita. Foi colocada na maca e imobilizada com tala inguinopodálica no membro inferior direito e enfaixamento com atadura de crepom na coxa do mesmo lado. Também foi colocado em um colar cervical, visando imobilizar a coluna cervical em extensão. No caso descrito, que lesão mais facilmente poderia levar à transecção medular e ao óbito?
Luxação atlanto-occipital: Lesão cervical alta instável, alto risco de transecção medular e óbito, especialmente se imobilização inadequada.
A luxação atlanto-occipital é uma lesão extremamente grave e instável da coluna cervical alta, que ocorre na junção entre o crânio e a primeira vértebra cervical (atlas). Devido à sua localização e instabilidade, tem um risco muito elevado de lesão medular grave, incluindo transecção, e óbito. A imobilização em extensão, como descrito, é inadequada e pode agravar essa lesão.
O trauma raquimedular (TRM) é uma lesão devastadora, e as lesões cervicais são as mais comuns e potencialmente fatais, especialmente em crianças e adolescentes devido à maior elasticidade dos ligamentos e à cabeça proporcionalmente maior. A avaliação e imobilização adequadas no local do acidente são cruciais. A fisiopatologia da luxação atlanto-occipital envolve a ruptura dos ligamentos que conectam o crânio à coluna cervical, resultando em uma instabilidade extrema. Essa lesão é frequentemente associada a acidentes de alta energia, como colisões veiculares, e tem uma alta taxa de mortalidade e morbidade neurológica grave. As lesões cervicais altas (C1-C2 e atlanto-occipital) são particularmente perigosas porque a medula espinhal nessa região contém centros vitais para a respiração e a função cardiovascular. No caso descrito, a imobilização da coluna cervical em extensão é um erro grave, pois pode agravar uma lesão instável, como a luxação atlanto-occipital, levando à compressão ou transecção medular. A conduta correta seria a imobilização em posição neutra. A luxação atlanto-occipital é a lesão mais instável e com maior potencial de transecção medular e óbito entre as opções, superando as luxações ou fraturas em níveis mais baixos da coluna cervical em termos de risco de fatalidade imediata.
É uma lesão extremamente instável da junção crânio-cervical, onde o crânio se separa do atlas (C1). Geralmente resulta de forças de distração ou flexão-extensão extremas, comuns em acidentes de alta energia.
Devido à sua localização na transição crânio-cervical, ela pode causar compressão ou transecção do tronco cerebral e da medula espinhal alta, levando a paralisia respiratória, instabilidade hemodinâmica e óbito imediato ou precoce.
A imobilização cervical deve ser feita em posição neutra, com colar cervical rígido e prancha longa, para evitar movimentos que possam agravar a lesão medular. A imobilização em extensão é contraindicada.
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