Manejo do Luto Agudo na Atenção Primária à Saúde

ENARE/ENAMED — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 52 anos chega ao acolhimento de Unidade Básica de Saúde (UBS), muito chorosa, e relata: "Estou com dificuldade para dormir, não tenho comido direito, desde o ocorrido é o meu filho, sabe ... ele morreu há 3 dias e a dor no meu coração está muito forte, quase insuportável". A paciente chora copiosamente e diz que sonha com uma pessoa gritando o nome de seu filho, relembrando o momento em que o tinha encontrado na rua, vítima de atropelamento. Após o primeiro acolhimento, ela fica um pouco mais calma, relatando que não pensa em se matar, que nunca tinha sido atendida por psiquiatra ou tomado medicamentos antes, mas que nesse momento precisa de muita ajuda. Diante do caso, qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Prescrever inibidor de recaptação de serotonina para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos.
  2. B) Encaminhar ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) para seguimento intensivo com médico psiquiatra.
  3. C) Encaminhar para psicologia na atenção secundária para ofertar terapia psicanalítica breve.
  4. D) Acompanhar longitudinalmente para observação e ofertar apoio pela equipe da UBS.

Pérola Clínica

Luto agudo (até 6 meses) sem ideação suicida ou psicose → Acompanhamento longitudinal e apoio psicossocial na Atenção Primária.

Resumo-Chave

O luto é uma reação normal e esperada à perda de um ente querido, manifestando-se com sintomas como tristeza intensa, dificuldade para dormir e comer, e pensamentos intrusivos; em sua fase aguda (primeiros meses), a conduta inicial adequada é o acolhimento, apoio psicossocial e acompanhamento longitudinal na Atenção Primária, sem medicalização ou encaminhamentos especializados imediatos, a menos que haja sinais de complicação.

Contexto Educacional

O luto é uma experiência universal e complexa, caracterizada por uma série de reações emocionais, cognitivas, físicas e comportamentais em resposta à perda de um ente querido. É crucial que profissionais de saúde, especialmente na Atenção Primária, saibam diferenciar o luto normal de condições patológicas como o transtorno depressivo maior ou o luto prolongado complicado. No caso apresentado, a paciente manifesta sintomas típicos de luto agudo, como tristeza intensa, choro copioso, dificuldade para dormir e comer, e pensamentos intrusivos, que são reações esperadas e adaptativas diante de uma perda tão significativa. A conduta inicial na Atenção Primária deve focar no acolhimento empático, na escuta ativa e no suporte psicossocial. É fundamental validar os sentimentos da paciente e oferecer um espaço seguro para expressar sua dor. A equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) pode desempenhar um papel crucial no acompanhamento longitudinal, monitorando a evolução do luto, identificando sinais de alerta para complicações (como ideação suicida persistente, psicose, ou incapacidade funcional grave e prolongada) e oferecendo intervenções de apoio, como grupos de suporte ou orientações sobre estratégias de enfrentamento. A medicalização precoce com antidepressivos ou o encaminhamento imediato para serviços especializados não são indicados para o luto normal, pois podem interferir no processo natural de elaboração da perda e não abordam a causa subjacente da dor.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas comuns do luto normal?

Os sintomas comuns incluem tristeza profunda, choro, dificuldade para dormir e comer, perda de interesse, fadiga, irritabilidade, pensamentos intrusivos sobre o falecido e sentimentos de vazio ou descrença.

Por que não se deve prescrever antidepressivos no luto agudo?

O luto agudo é uma reação natural e esperada à perda. A medicalização precoce pode inibir o processo natural de elaboração do luto e não é eficaz para a dor da perda em si, podendo mascarar a necessidade de apoio psicossocial.

Qual o papel da Atenção Primária no manejo do luto?

A Atenção Primária tem um papel fundamental no acolhimento, apoio emocional, acompanhamento longitudinal, identificação de fatores de risco para luto complicado e, se necessário, encaminhamento oportuno para serviços especializados.

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