SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Você é residente de Medicina e Família e Comunidade (MFC) do primeiro ano e acompanha há 1 ano a família Rodrigues no processo de adoecimento da matriarca e, agora, falecimento. A Sra. Antônia já vinha há algum tempo lidando com uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) grave, com recorrentes exacerbações e importantes limitações funcionais. Recebeu alta da última internação para acompanhamento do fim da sua vida em sua casa, junto da família. A sua equipe já havia feito algumas visitas domiciliares e tinha um bom vínculo com os Rodrigues. Você vinha abordando com Jurema, a principal cuidadora e a filha mais velha da Sra. Antônia, a possibilidade de óbito de sua mãe, o que de fato veio a ocorrer na noite passada. Agora Jurema vem ao posto de saúde, acompanhada da bisneta de Antônia, Joana (7 anos), solicitando o atestado de óbito. Jurema conta sobre os últimos momentos da mãe e como estão os preparativos funerais. Além disso, aponta para Joana e, falando em voz baixa, refere preocupação em expor o ocorrido para a bisneta, que tinha uma ótima relação com a bisavó. Sobre esse caso, é possível afirmar:
Cuidador principal → maior risco de luto complicado/prolongado (>10% dos casos).
Cuidadores primários de pacientes com doenças crônicas e terminais frequentemente desenvolvem um vínculo intenso, o que pode tornar o processo de luto mais complexo e prolongado. É crucial oferecer suporte e monitorar sinais de luto complicado, que afeta uma parcela significativa desses indivíduos.
O luto é um processo natural e individual de resposta à perda, mas pode se tornar complicado ou prolongado em cerca de 10% dos casos, especialmente em cuidadores primários. A Medicina de Família e Comunidade desempenha um papel fundamental no acompanhamento de famílias em processo de adoecimento e falecimento, oferecendo suporte contínuo e identificando vulnerabilidades. O luto complicado é caracterizado por uma intensidade e duração excessivas dos sintomas de luto, que interferem significativamente na funcionalidade do indivíduo por um período prolongado (geralmente >6-12 meses). Fatores de risco incluem ser o principal cuidador, vínculo intenso com o falecido, morte súbita ou traumática, e histórico de transtornos mentais. A equipe de saúde deve estar atenta a esses fatores, oferecer escuta qualificada, psicoeducação sobre o luto e, se necessário, encaminhamento para intervenções especializadas. A comunicação da morte a crianças deve ser feita de forma honesta e direta, adaptada à idade, evitando metáforas que possam gerar confusão.
Sinais incluem dificuldade persistente em aceitar a perda, preocupação excessiva com o falecido, isolamento social, sentimentos de inutilidade, e incapacidade de retomar atividades diárias por mais de 6-12 meses.
O médico de família deve oferecer escuta ativa, validar os sentimentos do enlutado, orientar sobre o processo normal do luto, identificar fatores de risco para luto complicado e, se necessário, encaminhar para apoio psicológico ou psiquiátrico.
Deve-se usar linguagem clara e direta, evitar eufemismos ou metáforas, responder às perguntas da criança de forma honesta e simples, e permitir que ela expresse seus sentimentos, oferecendo segurança e apoio.
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