HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Durante visita na Unidade de Alojamento Conjunto, você avalia um recém-nascido de 2 dias de vida, nascido a termo, de parto vaginal e sem intercorrências. Sabe-se que a mãe é portadora de Lúpus Eritematoso Sistêmico, em uso de hidroxicloroquina e com atividade de doença controlada no pré-natal. Ao examinar a criança, você observa palidez cutânea, com extremidades frias e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. À ausculta cardíaca, o ritmo é irregular, bulhas normofonéticas, sem sopros. A frequência cardíaca é de 65bpm. O restante do exame físico está normal. Diante do achado, foi realizado o eletrocardiograma a seguir e foram solicitadas pesquisas de autoanticorpos no sangue materno e da criança. Assinale a alternativa que contém o ritmo identificado no eletrocardiograma e o autoanticorpo mais frequentemente encontrado no caso em questão:
Mãe com LES + RN bradicárdico (FC 65bpm) → BAVT congênito por anticorpos maternos (Anti-Ro/SSA).
A bradicardia fetal ou neonatal em filhos de mães com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é um sinal de alerta para Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT) congênito, a complicação cardíaca mais grave do lúpus neonatal. Este é mediado pela passagem transplacentária de autoanticorpos maternos, principalmente Anti-Ro/SSA, que danificam o sistema de condução cardíaco fetal.
O lúpus neonatal é uma condição rara que afeta recém-nascidos de mães com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ou outras doenças autoimunes. É causado pela passagem transplacentária de autoanticorpos maternos, principalmente Anti-Ro/SSA e, em menor grau, Anti-La/SSB, que podem atacar tecidos fetais. A manifestação mais grave e irreversível é o bloqueio atrioventricular total (BAVT) congênito, que ocorre em cerca de 1-2% dos fetos expostos a esses anticorpos. O BAVT congênito se manifesta como bradicardia persistente e pode levar a insuficiência cardíaca e hidropsia fetal. No recém-nascido, a bradicardia grave (FC < 70 bpm) é um sinal de alerta. O diagnóstico é confirmado por eletrocardiograma, que mostra dissociação atrioventricular completa. Outras manifestações do lúpus neonatal, como lesões cutâneas e alterações hematológicas, são geralmente transitórias e se resolvem à medida que os anticorpos maternos são eliminados da circulação do bebê. O tratamento do BAVT congênito pode exigir a implantação de um marca-passo definitivo, dependendo da repercussão hemodinâmica e da frequência cardíaca. O acompanhamento pré-natal de gestantes com LES e anticorpos Anti-Ro/SSA deve incluir ecocardiogramas fetais seriados para detecção precoce de bradicardia. Residentes devem estar cientes dessa complicação grave e da sua associação com os autoanticorpos maternos para um manejo adequado.
O lúpus neonatal pode se manifestar com lesões cutâneas (eritema anular ou maculopapular), alterações hematológicas (anemia, trombocitopenia) e, mais gravemente, bloqueio atrioventricular congênito, que pode ser total e irreversível.
O autoanticorpo materno mais frequentemente associado ao bloqueio atrioventricular congênito em recém-nascidos é o Anti-Ro/SSA, seguido pelo Anti-La/SSB. Eles atravessam a placenta e danificam o sistema de condução cardíaco fetal.
A conduta inicial inclui monitoramento cardíaco contínuo, realização de eletrocardiograma para confirmar o tipo de bloqueio, e avaliação da necessidade de marca-passo temporário ou definitivo, dependendo da gravidade da bradicardia e da repercussão hemodinâmica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo