UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Um homem de 67 anos, com um longo histórico de hipertensão arterial sistêmica e dois infartos do miocárdio (há 2 e 4 anos), vem em tratamento de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Há 18 meses, devido à progressão de insuficiência renal crônica, vem em uso de hidralazina 100mg (3x ao dia), dinitrato de isossorbida (20mg 3x ao dia), carvedilol 25mg (2x ao dia). Consulta por um quadro de duas semanas de lesões cutâneas (pápulas eritematosas difusas) em tronco e região cervical que pioram por exposição ao sol, artralgias, febre baixa esporádica. Hemograma evidencia anemia discreta, VHS 80mm na primeira hora. Rx de tórax com derrame pleural bilateral. Não há congestão pulmonar, turgência jugular ou edema periférico. Qual dos seguintes exames poderá confirmar a causa da doença intercorrente?
Hidralazina + sintomas lúpus-símile (artralgia, rash, febre, derrame pleural) → Lúpus induzido por drogas → FAN.
O quadro clínico de artralgias, febre, rash cutâneo fotossensível e derrame pleural bilateral em um paciente idoso em uso crônico de hidralazina é altamente sugestivo de lúpus induzido por drogas. O Fator Antinuclear (FAN) é o exame de triagem inicial para lúpus e, embora não seja específico, é quase sempre positivo em lúpus induzido por drogas.
O lúpus induzido por drogas é uma síndrome autoimune que mimetiza o lúpus eritematoso sistêmico (LES), mas é desencadeada pelo uso de certos medicamentos. A hidralazina é um dos fármacos mais classicamente associados a essa condição, especialmente em doses elevadas e uso prolongado. O quadro clínico geralmente inclui artralgias, mialgias, febre, rash cutâneo (frequentemente fotossensível) e serosite (pleurite, pericardite), como o derrame pleural bilateral descrito no caso. O diagnóstico de lúpus induzido por drogas é baseado na história clínica (exposição ao medicamento), nos sintomas e nos achados laboratoriais. O Fator Antinuclear (FAN) é positivo em quase todos os pacientes com lúpus induzido por drogas, tornando-o um teste de triagem essencial. Embora não seja específico para a doença, sua negatividade praticamente exclui o diagnóstico. Anticorpos anti-histonas são altamente sensíveis e específicos para o lúpus induzido por drogas, sendo um teste confirmatório importante. A interrupção do medicamento causador é a principal medida terapêutica, levando à resolução dos sintomas na maioria dos casos. Em alguns pacientes, pode ser necessário o uso de anti-inflamatórios não esteroides ou corticosteroides para controlar os sintomas até a remissão. A dosagem de vitamina D, proteína C reativa, fator reumatoide e eletroforese de proteínas séricas são exames úteis em outros contextos, mas o FAN é o mais direto para confirmar a suspeita de lúpus induzido por drogas neste cenário.
Medicamentos como hidralazina, procainamida, isoniazida, metildopa e alguns antiarrítmicos são frequentemente associados ao desenvolvimento de lúpus induzido por drogas.
O lúpus induzido por drogas geralmente tem um início mais abrupto, menos envolvimento renal e do sistema nervoso central, e é caracterizado pela presença de anticorpos anti-histonas, enquanto o LES idiopático tem um perfil de autoanticorpos mais variado.
O FAN é positivo em quase 100% dos casos de lúpus induzido por drogas, tornando-o um excelente teste de triagem. No entanto, sua positividade não é específica e outros anticorpos, como os anti-histonas, são mais específicos para a condição.
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