Lúpus Eritematoso Sistêmico: Tratamento de Manifestações Leves

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 20 anos de idade, evoluindo há 3 meses com artralgia inflamatória e artrite não-erosiva em interfalangeanas e punhos, presença de rash malar associado a fotossensibilidade e úlceras orais. Tem anticorpo antinuclear (FAN) 1:160 nuclear homogêneo. Não apresenta comprometimento de outros órgãos no momento.Diante deste quadro, NÃO está indicado o uso de:

Alternativas

  1. A) Hidroxicloroquina.
  2. B) Ciclofosfamida.
  3. C) Prednisona.
  4. D) Metotrexato.

Pérola Clínica

LES com artrite, rash malar e úlceras orais (leve/moderado) → Hidroxicloroquina, Prednisona, Metotrexato. Ciclofosfamida NÃO.

Resumo-Chave

O caso descreve um Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) com manifestações leves a moderadas (artrite, rash malar, úlceras orais), sem comprometimento grave de órgãos. Nesses casos, a ciclofosfamida, um imunossupressor potente com efeitos adversos significativos, não é a primeira linha de tratamento, sendo reservada para LES grave com acometimento de órgãos vitais.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, multissistêmica, que afeta predominantemente mulheres jovens. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais. A prevalência varia, mas é uma das doenças reumatológicas mais desafiadoras devido à sua heterogeneidade clínica e potencial de acometimento de múltiplos órgãos. O diagnóstico do LES é baseado em critérios clínicos e laboratoriais, incluindo a presença de anticorpos antinucleares (FAN) e outros autoanticorpos específicos. As manifestações clínicas são diversas, abrangendo desde sintomas constitucionais (fadiga, febre) até acometimento cutâneo (rash malar, fotossensibilidade), articular (artrite), renal (nefrite), hematológico, neurológico, entre outros. O tratamento do LES é individualizado, dependendo da gravidade e dos órgãos acometidos. Para manifestações leves a moderadas, como as descritas no caso (artrite, rash malar, úlceras orais), a hidroxicloroquina é a base do tratamento, frequentemente associada a corticosteroides em baixas doses e/ou imunossupressores como o metotrexato. A ciclofosfamida, devido aos seus efeitos adversos significativos (mielossupressão, infertilidade, cistite hemorrágica), é reservada para casos graves e com risco de vida ou de dano orgânico irreversível, como nefrite lúpica proliferativa ou vasculite sistêmica grave.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas mais comuns do Lúpus Eritematoso Sistêmico?

As manifestações comuns incluem artrite, rash malar, fotossensibilidade, úlceras orais, serosite, nefrite, alterações hematológicas e neurológicas.

Quando a ciclofosfamida é indicada no tratamento do LES?

A ciclofosfamida é indicada em casos de Lúpus Eritematoso Sistêmico grave, como nefrite lúpica proliferativa, vasculite sistêmica ou hemorragia alveolar, devido ao seu potente efeito imunossupressor.

Qual o papel da hidroxicloroquina no tratamento do LES?

A hidroxicloroquina é um medicamento de base no tratamento do LES, indicada para a maioria dos pacientes, pois ajuda a controlar manifestações cutâneas, articulares e a prevenir surtos, além de reduzir a mortalidade.

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