MedEvo Simulado — Prova 2025
Ana Paula, 32 anos, procura a clínica médica com queixas de fadiga intensa, dores articulares migratórias e intermitentes nas mãos e joelhos há cerca de 6 meses, que pioram com o repouso e melhoram parcialmente com anti-inflamatórios não esteroides. Relata episódios recorrentes de aftas orais dolorosas, erupções cutâneas no rosto após exposição solar e perda de cabelo acentuada. Ao exame físico, apresenta eritema malar discreto, úlceras orais em mucosa jugal e sinovite leve em articulações metacarpofalangeanas. Não há sinais de edema periférico ou derrame seroso. <br><br>Exames laboratoriais revelam: Hemoglobina 10.8 g/dL (VR: 12-16 g/dL), Leucócitos 3.800/mm³ (VR: 4.000-11.000/mm³), Plaquetas 130.000/mm³ (VR: 150.000-450.000/mm³), VHS 45 mm/1ª hora (VR: <20 mm/1ª hora), PCR 12 mg/L (VR: <5 mg/L).<br><br>Imunologia: FAN reagente 1:640, padrão nuclear homogêneo; Anti-dsDNA reagente (180 UI/mL, VR <30 UI/mL); Anti-Sm reagente; C3 70 mg/dL (VR: 90-180 mg/dL); C4 15 mg/dL (VR: 16-47 mg/dL).<br><br>Urinálise: Proteinúria de 24h 0.3g (VR <0.15g), 5-8 hemácias/campo.<br><br>Diante do quadro clínico e laboratorial de Ana Paula, qual é a medicação de primeira linha recomendada para o controle da atividade da doença em sua apresentação atual?
LES com manifestações leves a moderadas → Hidroxicloroquina é primeira linha para controle da atividade.
A hidroxicloroquina é a medicação de primeira linha para a maioria dos pacientes com LES, especialmente aqueles com manifestações cutâneas, articulares e constitucionais, devido ao seu perfil de segurança e eficácia no controle da atividade da doença e prevenção de flares.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos e inflamação generalizada. Sua prevalência é maior em mulheres jovens e pode afetar diversos órgãos, como pele, articulações, rins, sistema nervoso e células sanguíneas. O reconhecimento precoce das manifestações clínicas e laboratoriais é crucial para um manejo adequado e para prevenir danos orgânicos irreversíveis. O diagnóstico do LES baseia-se em uma combinação de achados clínicos e laboratoriais, incluindo a presença de autoanticorpos como o FAN, anti-dsDNA e anti-Sm, além de hipocomplementemia. A paciente do caso apresenta um quadro clássico de LES com envolvimento cutâneo (eritema malar, fotossensibilidade), articular (artralgia, sinovite), hematológico (anemia, leucopenia, plaquetopenia), renal (proteinúria, hematúria) e constitucional (fadiga, perda de cabelo), com sorologia altamente sugestiva. A hidroxicloroquina é a medicação de primeira linha para a maioria dos pacientes com LES, independentemente da gravidade inicial, exceto em casos de doença fulminante. Ela atua como um imunomodulador, reduzindo a atividade da doença, prevenindo exacerbações e melhorando a qualidade de vida. Outras medicações, como corticosteroides, metotrexato, azatioprina e micofenolato, são reservadas para casos de maior gravidade ou refratariedade, ou para manifestações específicas como nefrite lúpica. O acompanhamento oftalmológico regular é essencial devido ao risco de retinopatia associada ao uso prolongado de hidroxicloroquina.
O diagnóstico de LES é complexo e envolve critérios clínicos (como eritema malar, úlceras orais, artrite, serosite, doença renal, neurológica, hematológica) e imunológicos (FAN, anti-dsDNA, anti-Sm, hipocomplementemia). A presença de FAN positivo e pelo menos um critério clínico e um imunológico adicional é geralmente necessária.
A hidroxicloroquina é a base do tratamento para a maioria dos pacientes com LES devido à sua eficácia em reduzir a atividade da doença, prevenir flares, melhorar a fadiga, artralgia e lesões cutâneas, além de ter um bom perfil de segurança e potenciais benefícios cardiovasculares e renais.
Imunossupressores mais potentes, como metotrexato, azatioprina, micofenolato ou ciclofosfamida, são indicados para formas mais graves de LES, como nefrite lúpica proliferativa, lúpus neuropsiquiátrico grave, ou doença refratária às terapias de primeira linha. Corticosteroides são usados para controlar flares agudos.
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