MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma adolescente de 14 anos de idade é levada à consulta por história de febre intermitente, fadiga intensa e perda ponderal de 5 kg nos últimos dois meses. Relata que, há três semanas, notou queda de cabelo acentuada e surgimento de feridas indolores no palato, além de dores nas articulações das mãos e joelhos que pioram pela manhã. Há dois dias, a paciente apresentou um episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, seguido de um quadro de desorientação e alucinações visuais. Ao exame físico, apresenta-se pálida, com eritema malar que poupa o sulco nasogeniano, alopecia difusa e sinovite em interfalângicas proximais. Os exames laboratoriais revelaram: Hemoglobina 8,2 g/dL, com reticulócitos de 4% e teste de Coombs direto positivo; Leucócitos 2.800/mm³, com contagem absoluta de linfócitos de 750/mm³; Plaquetas 105.000/mm³. O exame de urina de rotina demonstrou proteinúria de 2+ (estimada em 1,5 g/24h), presença de 20 hemácias por campo de grande aumento e cilindros granulosos. O perfil imunológico evidenciou Fator Antinuclear (FAN) reagente 1:1280, padrão nuclear homogêneo; anti-dsDNA reagente; Complemento C3 42 mg/dL (Referência: 90-180 mg/dL) e Complemento C4 5 mg/dL (Referência: 10-40 mg/dL). Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, a hipótese diagnóstica mais provável é:
Febre + Artrite + Citopenias + Proteinúria + FAN/Anti-DNA+ = Lúpus Eritematoso Sistêmico.
O LES pediátrico costuma ser mais grave que o do adulto, com maior frequência de acometimento renal e do sistema nervoso central, exigindo diagnóstico e imunossupressão precoces.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica crônica. Na pediatria, o quadro clínico tende a ser mais agressivo. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos (como o eritema malar e a sinovite) e laboratoriais (citopenias, consumo de complemento e presença de autoanticorpos). O tratamento envolve o uso de hidroxicloroquina para todos os pacientes, associada a corticoides e imunossupressores (como micofenolato ou ciclofosfamida) dependendo da gravidade do acometimento orgânico, especialmente na nefrite e no acometimento do SNC.
Atualmente utilizamos os critérios EULAR/ACR 2019, que exigem um FAN ≥ 1:80 como critério de entrada, seguido de pontuação em domínios clínicos (cutâneo, articular, renal, neurológico, hematológico) e imunológicos (anticorpos antifosfolípides, complemento baixo, anticorpos específicos como anti-dsDNA ou anti-Sm). Uma pontuação ≥ 10 confirma o diagnóstico.
A atividade renal é sugerida por proteinúria (> 0,5g/24h ou 2+ no exame de urina), hematúria dismórfica, presença de cilindros celulares (granulosos ou hemáticos) e alteração da função renal. A biópsia renal é o padrão-ouro para classificar a nefrite lúpica e guiar a terapia.
Manifesta-se por uma gama de sintomas, desde cefaleia e disfunção cognitiva até crises convulsivas, psicose e acidente vascular cerebral. No caso clínico, a convulsão e as alucinações associadas à atividade sistêmica confirmam o envolvimento do SNC pelo lúpus.
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