Lúpus Eritematoso Sistêmico Pediátrico: Diagnóstico e Tratamento

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Menina de 8 anos de idade foi internada para investigação de febre não aferida há 3 meses. Mãe refere que criança apresentou febre alguns dias sim e outros não. Neste período, iniciou edema das mãos e pés e manchas na região das coxas bilateralmente e na face (rush malar). Fez uso de “antialérgico” e prednisolona por dois dias com alguma melhora, mas as manchas e edema retornaram após término da medicação. Refere ainda aparecimento de aftas dolorosas orais, que se intensificaram há 3 dias. Paciente apresenta bom estado geral, sem alterações cardiopulmonares significativas, fígado a 2,5 cm do rebordo costal, rush cutâneo em face, principalmente região malar, e em membros inferiores. Os exames mostram anemia leve, leucopenia com linfopenia discreta, sem plaquetopenia. Fator antinuclear positivo, anticorpo anti-DNA positivo, anticorpo anticardiolipina posi- tivo, VDRL positivo. Complementos CD3, CD4 e CH50 baixos. O melhor tratamento para esse caso, dentre os abaixo, é:

Alternativas

  1. A) Prednisolona e hidroxicloroquina.
  2. B) Prednisolona e anti-histamínico.
  3. C) Anti-histamínico e rituximabe.
  4. D) Prednisolona e anti-histamínico.
  5. E) Anti-histamínico e aciclovir.

Pérola Clínica

Febre + rash malar + aftas + citopenias + FAN/anti-DNA/anticardiolipina + complementos baixos = LES → Prednisolona + Hidroxicloroquina.

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial da paciente (febre, rash malar, edema, aftas, citopenias, FAN, anti-DNA, anticardiolipina e consumo de complemento) é altamente compatível com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) pediátrico. O tratamento de primeira linha para LES, especialmente com manifestações sistêmicas, envolve corticosteroides (como a Prednisolona) para controlar a inflamação aguda e imunomoduladores (como a Hidroxicloroquina) para manutenção e prevenção de surtos.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos e disfunção imunológica. Embora mais comum em adultos jovens, o LES pediátrico, que se manifesta antes dos 18 anos, tende a ter um curso mais grave e com maior comprometimento orgânico. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce e tratamento agressivo para prevenir danos irreversíveis a órgãos vitais como rins, sistema nervoso central, coração e pulmões, que são mais frequentes na população pediátrica. O diagnóstico do LES pediátrico é desafiador devido à sua apresentação heterogênea e à sobreposição de sintomas com outras doenças. É baseado nos critérios de classificação do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) ou EULAR/ACR, que incluem manifestações clínicas (rash malar, úlceras orais, artrite, serosite, nefrite, alterações neurológicas e hematológicas) e achados laboratoriais (FAN positivo, anti-DNA, anti-Sm, anticorpos antifosfolípides, consumo de complemento). A presença de VDRL falso-positivo e anticorpo anticardiolipina positivo sugere a coexistência de Síndrome Antifosfolípide, uma complicação comum do LES. O tratamento do LES pediátrico é individualizado e visa controlar a atividade da doença, prevenir surtos e minimizar danos orgânicos. A base do tratamento inclui corticosteroides (como a Prednisolona) para indução da remissão em fases de atividade, e imunomoduladores como a Hidroxicloroquina para terapia de manutenção, que tem um papel protetor e reduz a necessidade de altas doses de corticoides. Em casos de maior gravidade ou falha terapêutica, podem ser utilizados outros imunossupressores (azatioprina, micofenolato de mofetila, ciclofosfamida) ou terapias biológicas. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço das terapias, mas o monitoramento contínuo é essencial para detectar e manejar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas mais comuns do Lúpus Eritematoso Sistêmico pediátrico?

As manifestações incluem febre prolongada, fadiga, artrite, rash cutâneo (malar, discoide), fotossensibilidade, úlceras orais, serosite (pleurite, pericardite), envolvimento renal (nefrite lúpica), neurológico e citopenias (anemia, leucopenia, plaquetopenia).

Por que a Prednisolona e a Hidroxicloroquina são a base do tratamento do LES?

A Prednisolona (corticosteroide) é usada para controlar a inflamação aguda e suprimir o sistema imune em fases de atividade da doença. A Hidroxicloroquina é um antimalárico com efeitos imunomoduladores, usada para manutenção, prevenção de surtos, proteção contra danos orgânicos e redução da dose de corticoides.

Qual a importância dos autoanticorpos (FAN, anti-DNA) e do complemento no diagnóstico de LES?

O Fator Antinuclear (FAN) é um teste de triagem sensível. O anticorpo anti-DNA é mais específico para LES e correlaciona-se com a atividade da doença, especialmente a nefrite lúpica. Níveis baixos de complemento (C3, C4, CH50) indicam consumo e atividade da doença, sendo marcadores importantes de monitoramento.

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