AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica multissistêmica com aproximadamente 15 a 20% dos casos sendo diagnosticados na infância. Em comparação com os adultos, as crianças e adolescentes apresentam doença mais grave e envolvimento mais generalizado de órgãos. Sobre a ocorrência desta doença na infância, analise as afirmativas abaixo: I. O acometimento cutâneo ocorre em mais da metade dos casos. II. O comprometimento articular é grave e costuma causar deformidades importantes. III. Se for tolerada a hidroxicloroquina é recomendada a todos os pacientes com LES. Sobre está situação selecione a opção correta:
LES Pediátrico: Hidroxicloroquina para todos + Artrite comum, mas raramente deformante.
O LES pediátrico é mais agressivo que o do adulto; a hidroxicloroquina é pilar do tratamento e a artrite, embora frequente, não costuma ser erosiva.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico Pediátrico é uma doença autoimune crônica de etiologia complexa, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais. O diagnóstico precoce é crucial, pois o envolvimento renal e hematológico pode ser fulminante em crianças. O tratamento baseia-se na gravidade das manifestações, utilizando desde hidroxicloroquina e fotoproteção para casos leves, até pulsoterapia com metilprednisolona e imunossupressores (ciclofosfamida, micofenolato) para casos graves como nefrite ou vasculite de SNC. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para monitorar o crescimento, desenvolvimento puberal e os efeitos colaterais da corticoterapia prolongada.
O LES com início na infância (cSLE) tende a apresentar um curso clínico mais grave e agressivo. Crianças têm uma maior prevalência de envolvimento de órgãos vitais, especialmente nefrite lúpica (até 50-80% dos casos) e envolvimento do sistema nervoso central, além de acumularem danos orgânicos mais rapidamente do que os adultos diagnosticados com a doença.
A hidroxicloroquina (antimalárico) é recomendada para todos os pacientes com LES, a menos que haja contraindicação absoluta. Ela reduz a frequência de crises (flares), previne o dano orgânico a longo prazo, melhora o perfil lipídico, reduz o risco de trombose e aumenta a sobrevida. Na pediatria, é fundamental para o controle da doença e poupança de corticoides.
A artrite ou artralgia ocorre em cerca de 75-90% dos pacientes pediátricos com LES. Caracteriza-se por ser uma poliartrite simétrica, acometendo pequenas e grandes articulações. Diferente da Artrite Idiopática Juvenil, a artrite do LES é tipicamente não erosiva e não causa deformidades ósseas permanentes, embora possa haver frouxidão ligamentar (Jaccoud).
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