Lúpus Eritematoso Sistêmico: Diagnóstico e Tratamento da Nefrite

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, sexo feminino 22 anos, iniciou quadro de aumento de volume e temperatura em articulações dos punhos e joelhos associado a rubor em regiões malares e alopecia. Associa-se edema em face e membros inferiores - cacifo (++/++++) e urina com ''aspecto espumoso'' - sic. Foram realizados exames laboratoriais que constataram: hemoglobina = 10; leucócitos = 3000; neutrófilos = 2500; linfócitos = 500; plaquetas = 120.000; VHS = 88; creatinina = 2,5; FAN= reagente = 1:1280- nuclear homogêneo; EAS = leucócitos = 16.250, hemácias = 520.000, presença de cilindros hemáticos; proteinúria de 24 horas = 5,0 g/24h. Qual o diagnóstico clínico e melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Lúpus eritematoso sistêmico. Iniciar pulsoterapia com azatioprina (150mg/dia) e decadron (4,0mg-8/8h por 03 dias).
  2. B) Psoríase (forma eritrodérmica). Iniciar metotrexato (15mg/semana), ácido fólico (5mg/semana) e glicocorticoides em altas doses.
  3. C) Lúpus eritematoso sistêmico. Iniciar pulsoterapia com metilprednisolona por 03 dias e pulsos mensais de ciclofosfamida.
  4. D) Síndrome do anticorpo antifosfolipídio. Anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular (enoxaparina) e iniciar sulfato de hidroxicloroquina.

Pérola Clínica

LES com nefrite grave (proteinúria >3.5g/24h, cilindros hemáticos, creatinina ↑) → Pulsoterapia com metilprednisolona + ciclofosfamida.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios diagnósticos para Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) com acometimento renal grave (nefrite lúpica classe III/IV ou V, sugerida por proteinúria nefrótica, hematúria com cilindros e elevação da creatinina). A conduta inicial para nefrite lúpica proliferativa grave é a pulsoterapia com glicocorticoides seguida de imunossupressor potente como a ciclofosfamida.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, mais comum em mulheres jovens. Sua importância clínica reside na ampla gama de manifestações, desde sintomas constitucionais e articulares até acometimento de órgãos vitais como rins, sistema nervoso central e coração. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir danos irreversíveis e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia do LES envolve a produção de autoanticorpos contra componentes nucleares, levando à formação de imunocomplexos que se depositam em diversos tecidos, desencadeando inflamação. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais, sendo o FAN reagente um exame de triagem importante, mas que deve ser complementado por outros autoanticorpos (anti-DNA, anti-Sm) e avaliação das manifestações clínicas. O acometimento renal, conhecido como nefrite lúpica, é uma das complicações mais graves e um preditor de morbimortalidade. O tratamento do LES é individualizado e depende da gravidade e dos órgãos acometidos. Para casos de nefrite lúpica proliferativa grave, a indução da remissão geralmente envolve pulsoterapia com glicocorticoides (metilprednisolona) seguida de um agente imunossupressor potente como a ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila. Após a indução, a fase de manutenção visa prevenir recaídas e pode incluir azatioprina, micofenolato ou inibidores da calcineurina. O prognóstico está diretamente relacionado ao controle da atividade da doença e à prevenção de danos orgânicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Lúpus Eritematoso Sistêmico?

Os critérios incluem manifestações clínicas como artrite, rash malar, alopecia, serosite, alterações hematológicas (leucopenia, linfopenia, trombocitopenia), e alterações laboratoriais como FAN reagente, anti-DNA, anti-Sm.

Quando suspeitar de acometimento renal grave no LES?

Suspeita-se de acometimento renal grave quando há proteinúria nefrótica (>3.5g/24h), hematúria com cilindros hemáticos, elevação da creatinina sérica e edema.

Qual a diferença entre pulsoterapia com metilprednisolona e azatioprina no LES?

A pulsoterapia com metilprednisolona é usada para indução de remissão em casos graves, enquanto a azatioprina é geralmente empregada na fase de manutenção ou em casos menos graves, não sendo a primeira escolha para indução de nefrite lúpica proliferativa.

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