INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma mulher com 33 anos de idade procura o ambulatório de clínica médica devido a dores articulares há 3 meses. Refere o acometimento de mãos (interfalangeanas proximais e metacarpofalangeanas), punhos e joelhos. Ao exame físico, apresenta sinais de artrite nessas articulações. Foram solicitados exames laboratoriais para a investigação diagnóstica e os resultados são apresentados a seguir.Diante desses achados clínicos e laboratoriais, quais são, respectivamente, o autoanticorpo relacionado ao FAN apresentado e o diagnóstico pertinente ao caso?
Artrite em mulher jovem + FAN positivo → investigar LES; Anti-DNA nativo é marcador de atividade e diagnóstico.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune que afeta predominantemente mulheres jovens e se manifesta com uma ampla gama de sintomas, sendo a artrite uma das mais comuns. A presença de FAN positivo é um critério de triagem, e o Anti-DNA nativo é um autoanticorpo altamente específico e importante para o diagnóstico e monitoramento da atividade da doença.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, com uma epidemiologia que demonstra maior prevalência em mulheres jovens em idade fértil. Sua importância clínica reside na ampla gama de manifestações que podem afetar praticamente qualquer órgão ou sistema, exigindo um alto índice de suspeita para o diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia do LES envolve a produção de autoanticorpos contra componentes nucleares e citoplasmáticos, levando à formação de imunocomplexos e inflamação tecidual. O diagnóstico é complexo e baseado em critérios clínicos e laboratoriais. A artrite é uma das manifestações mais comuns, afetando articulações como interfalangeanas proximais, metacarpofalangeanas, punhos e joelhos. O Fator Antinúcleo (FAN) é um teste de triagem altamente sensível, mas não específico. Para a confirmação diagnóstica, são necessários autoanticorpos mais específicos, como o anti-DNA nativo (anti-dsDNA), que é um marcador de alta especificidade e frequentemente associado à atividade da doença, especialmente em casos de nefrite lúpica. O tratamento do LES é individualizado e visa controlar a inflamação, prevenir danos aos órgãos e melhorar a qualidade de vida. Inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para sintomas leves, antimaláricos (hidroxicloroquina), corticosteroides e imunossupressores para casos mais graves. O prognóstico do LES melhorou significativamente com o avanço do diagnóstico e tratamento, mas a doença ainda pode levar a danos orgânicos irreversíveis. Pontos de atenção para residentes incluem a necessidade de uma abordagem multidisciplinar e o monitoramento contínuo da atividade da doença e dos efeitos adversos dos medicamentos.
O Fator Antinúcleo (FAN) é um teste de triagem altamente sensível para o LES, sendo positivo em mais de 95% dos pacientes. No entanto, ele não é específico e pode ser positivo em outras doenças autoimunes ou mesmo em indivíduos saudáveis.
O anticorpo anti-DNA nativo (anti-dsDNA) é altamente específico para o LES e está presente em cerca de 50-70% dos pacientes, sendo frequentemente associado à nefrite lúpica e à atividade da doença.
As manifestações articulares mais comuns são artralgia e artrite não erosiva, que afetam predominantemente as pequenas articulações das mãos (interfalangeanas proximais e metacarpofalangeanas), punhos e joelhos, de forma simétrica.
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