Lúpus Eritematoso Sistêmico: Diagnóstico e Nefrite Lúpica

HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente feminina de 25 anos foi internada com um quadro de glomerulonefrite. Os exames complementares evidenciaram um FAN em célula Hep-2, com padrão homogêneo acima dos valores de referência, creatinina sérica de 3,0 mg/dl. Sumária de urina proteína (++), hemoglobina (+++), leucocitúria e cilindros hemáticos. A biopsia renal realizada foi compatível com lúpus. De posse desses dados, podemos interpretar:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico está estabelecido, segundo a interpretação dos critérios do Colégio Americano de Reumatologia (1997). O estudo anatomopatológico renal mais provável é do tipo IV.
  2. B) O dignóstico está estabelecido, segundo a interpretação dos critérios Systemic International Collaborating Clinics(2012- (SLICC). O estudo anatomopatológico renal mais provável é do tipo IV.
  3. C) O diagnóstico está indefinido, segundo a interpretação dos critérios do Colégio Americano de Reumatologia. Para o diagnóstico, necessita-se de quatro ou mais critérios dentre o total de onze. O estudo anatomopatológico renal mais provável é do tipo V. 
  4. D) O diagnóstico está indefinido, segundo a interpretação dos critérios do SLIC C. Para o diagnóstico, necessita-se de quatro critérios, dentro de um total de dezessete, pelo menos um clínico e um imunológico. O estudo anatomopatológico renal mais provável e do tipo III.

Pérola Clínica

LES: Diagnóstico SLICC 2012 (≥4 critérios, 1 clínico + 1 imunológico) ou nefrite lúpica + FAN/anti-DNA. Nefrite lúpica tipo IV é a mais comum e grave.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é complexo e se baseia em critérios clínicos e imunológicos. Os critérios SLICC de 2012 são mais sensíveis que os ACR de 1997, exigindo pelo menos 4 critérios (sendo um clínico e um imunológico) ou nefrite lúpica comprovada por biópsia com FAN ou anti-DNA positivo. A nefrite lúpica tipo IV é a forma mais comum e grave.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, com prevalência maior em mulheres jovens. Seu diagnóstico precoce é fundamental para evitar danos orgânicos irreversíveis. A glomerulonefrite lúpica é uma das manifestações mais graves, afetando até 60% dos pacientes e sendo uma das principais causas de morbimortalidade. Os critérios de classificação do LES evoluíram ao longo do tempo. Os critérios SLICC (Systemic Lupus International Collaborating Clinics) de 2012 são mais sensíveis que os anteriores (ACR 1997), permitindo um diagnóstico mais ágil. Eles exigem a presença de pelo menos quatro critérios, sendo no mínimo um clínico e um imunológico, ou a presença de nefrite lúpica comprovada por biópsia na presença de FAN ou anti-DNA positivo. A biópsia renal é essencial para classificar a nefrite lúpica em seis tipos histopatológicos, sendo o tipo IV (glomerulonefrite difusa) o mais comum e associado a pior prognóstico. O tratamento do LES e da glomerulonefrite lúpica é individualizado, visando controlar a atividade da doença, prevenir surtos e minimizar danos orgânicos. Inclui imunossupressores como corticosteroides, micofenolato de mofetila e ciclofosfamida, além de terapias biológicas. O acompanhamento regular e a adesão ao tratamento são cruciais para a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) pelos critérios SLICC 2012?

Os critérios SLICC 2012 exigem a presença de pelo menos 4 critérios, incluindo no mínimo um clínico e um imunológico, ou nefrite lúpica comprovada por biópsia renal com FAN ou anti-DNA positivo.

Qual a importância da biópsia renal no diagnóstico e manejo da glomerulonefrite lúpica?

A biópsia renal é crucial para classificar o tipo histopatológico da nefrite lúpica, o que direciona o tratamento e o prognóstico. A nefrite lúpica tipo IV (glomerulonefrite difusa) é a mais comum e associada a pior prognóstico.

Como o FAN (Fator Antinuclear) se relaciona com o diagnóstico de LES e qual a relevância do padrão homogêneo?

O FAN é um critério imunológico para LES, sendo positivo em mais de 95% dos pacientes. O padrão homogêneo é comum em LES e geralmente associado a anticorpos anti-DNA de dupla hélice e anti-histonas.

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