Nefrite Lúpica: Diagnóstico e Achados no Sedimento Urinário

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Menina, 13 anos de idade, apresenta queixa de lesões em face que pioram com o sol, além de dor e edema nas articulações de punhos e alguns dedos há 3 meses. Refere febre esporádica. Apresenta alteração de urina, que está escura e com espuma. Qual é a alteração mais provável de ser encontrada no exame de urina?

Alternativas

  1. A) Hematúria com dismorfismo eritrocitário.
  2. B) Leucocitúria sem cilindrúria.
  3. C) Relação proteinúria/creatinúria <0,2.
  4. D) Alteração de pH e cilindros hialinos.

Pérola Clínica

LES + Urina escura/espumosa → Glomerulonefrite (Hematúria dismórfica + Cilindros hemáticos).

Resumo-Chave

A presença de hematúria com dismorfismo eritrocitário é o marcador clássico de sangramento glomerular, indicando atividade de nefrite lúpica em pacientes com LES.

Contexto Educacional

O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) pediátrico tende a ser mais grave que a forma adulta, com maior incidência de nefrite (até 80% dos casos). O diagnóstico precoce da nefrite lúpica é crucial para evitar a progressão para insuficiência renal crônica. O exame de urina tipo 1 (EAS) é o screening inicial, onde a hematúria glomerular e a proteinúria são os achados cardinais. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos na membrana basal glomerular, ativando a cascata do complemento e recrutando células inflamatórias. Isso resulta em dano estrutural aos podócitos e capilares glomerulares, permitindo a passagem de hemácias (que se tornam dismórficas) e proteínas para o espaço de Bowman.

Perguntas Frequentes

O que indica a hematúria dismórfica na Nefrite Lúpica?

A hematúria dismórfica indica que os eritrócitos sofreram deformações ao atravessar a barreira de filtração glomerular lesionada. No contexto do Lupus Eritematoso Sistêmico (LES), esse achado é altamente sugestivo de glomerulonefrite ativa (Nefrite Lúpica). Além do dismorfismo, a presença de cilindros hemáticos reforça a origem glomerular do sangramento, diferenciando-o de causas urológicas ou do trato urinário inferior.

Quais são os sinais clínicos de acometimento renal no LES pediátrico?

Os sinais principais incluem urina escura (hematúria macroscópica), urina espumosa (sugerindo proteinúria significativa ou síndrome nefrótica), edema de extremidades ou facial, e hipertensão arterial. Laboratorialmente, observa-se elevação da creatinina, redução do complemento (C3 e C4) e sedimento urinário ativo com eritrócitos dismórficos e cilindros.

Qual a importância da relação proteinúria/creatinúria no diagnóstico?

A relação proteinúria/creatinúria (RPC) em amostra isolada é uma ferramenta fundamental para quantificar a perda proteica. Valores acima de 0,5 mg/mg são considerados anormais e sugerem atividade renal no LES. No caso clínico, a urina espumosa indica proteinúria de faixa nefrótica (RPC > 2,0), o que exige investigação imediata com biópsia renal para classificação da nefrite.

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