UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Menina, 13 anos de idade, apresenta queixa de lesões em face que pioram com o sol, além de dor e edema nas articulações de punhos e alguns dedos há 3 meses. Refere febre esporádica. Apresenta alteração de urina, que está escura e com espuma. Qual é a alteração mais provável de ser encontrada no exame de urina?
LES + Urina escura/espumosa → Glomerulonefrite (Hematúria dismórfica + Cilindros hemáticos).
A presença de hematúria com dismorfismo eritrocitário é o marcador clássico de sangramento glomerular, indicando atividade de nefrite lúpica em pacientes com LES.
O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) pediátrico tende a ser mais grave que a forma adulta, com maior incidência de nefrite (até 80% dos casos). O diagnóstico precoce da nefrite lúpica é crucial para evitar a progressão para insuficiência renal crônica. O exame de urina tipo 1 (EAS) é o screening inicial, onde a hematúria glomerular e a proteinúria são os achados cardinais. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos na membrana basal glomerular, ativando a cascata do complemento e recrutando células inflamatórias. Isso resulta em dano estrutural aos podócitos e capilares glomerulares, permitindo a passagem de hemácias (que se tornam dismórficas) e proteínas para o espaço de Bowman.
A hematúria dismórfica indica que os eritrócitos sofreram deformações ao atravessar a barreira de filtração glomerular lesionada. No contexto do Lupus Eritematoso Sistêmico (LES), esse achado é altamente sugestivo de glomerulonefrite ativa (Nefrite Lúpica). Além do dismorfismo, a presença de cilindros hemáticos reforça a origem glomerular do sangramento, diferenciando-o de causas urológicas ou do trato urinário inferior.
Os sinais principais incluem urina escura (hematúria macroscópica), urina espumosa (sugerindo proteinúria significativa ou síndrome nefrótica), edema de extremidades ou facial, e hipertensão arterial. Laboratorialmente, observa-se elevação da creatinina, redução do complemento (C3 e C4) e sedimento urinário ativo com eritrócitos dismórficos e cilindros.
A relação proteinúria/creatinúria (RPC) em amostra isolada é uma ferramenta fundamental para quantificar a perda proteica. Valores acima de 0,5 mg/mg são considerados anormais e sugerem atividade renal no LES. No caso clínico, a urina espumosa indica proteinúria de faixa nefrótica (RPC > 2,0), o que exige investigação imediata com biópsia renal para classificação da nefrite.
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