Lúpus Eritematoso Sistêmico: Diagnóstico em Adolescentes

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Adolescente, 14 anos, sexo masculino, apresenta artrite bilateral em tornozelos, com manchas elevadas, vermelhas, indolores e não pruriginosas. Essas lesões cutâneas eram fixas e localizavam-se em nádegas e coxas. Exames complementares: hemoglobina: 9g/dL, reticulócitos: 10%, leucócitos: 4.600/mm³ (neutrófilos: 78%, linfócitos: 20%, e monócitos: 2%), plaquetas: 232.000/mm³; sedimento urinário: hemácias (300 por campo), proteínas: 0,9g e cilindros hemáticos e granulares; FAN: 1/480, FR: negativo, anticorpo anticardiolipina (IgM e IgG): positivos. O diagnóstico do paciente é:

Alternativas

  1. A) Poliarterite nodosa.
  2. B) Lúpus eritematoso sistêmico.
  3. C) Vasculite leucocitoclástica.
  4. D) Granulomatose com poliangeíte.
  5. E) Poliangeítemicroscópica.

Pérola Clínica

Adolescente com artrite, vasculite cutânea, anemia, nefrite (cilindros hemáticos, proteinúria) e FAN/anticardiolipina positivos → Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um adolescente com artrite, lesões cutâneas vasculíticas, anemia, acometimento renal (hematúria, proteinúria, cilindros) e autoanticorpos (FAN e anticardiolipina) é altamente sugestivo de Lúpus Eritematoso Sistêmico, uma doença autoimune multissistêmica.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, inflamatória e multissistêmica, que pode afetar praticamente qualquer órgão ou sistema do corpo. Embora mais comum em mulheres em idade fértil, pode ocorrer em qualquer idade, incluindo a adolescência, onde frequentemente apresenta um curso mais agressivo. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais. O diagnóstico de LES é complexo e baseia-se na presença de uma combinação de manifestações clínicas e achados laboratoriais. As manifestações clínicas são diversas e incluem artrite, lesões cutâneas (como o rash malar ou vasculite), serosite, acometimento renal (nefrite lúpica), neurológico, hematológico (anemia, leucopenia, plaquetopenia) e outros. Os exames laboratoriais são cruciais, com o FAN (Fator Antinuclear) sendo um teste de triagem sensível, e outros anticorpos específicos (anti-DNA de dupla hélice, anti-Sm) confirmando o diagnóstico. No caso apresentado, a combinação de artrite, lesões cutâneas vasculíticas, anemia, nefrite ativa (hematúria, proteinúria, cilindros hemáticos e granulares) e a positividade do FAN e anticorpos anticardiolipina aponta fortemente para LES. A presença de anticorpos anticardiolipina também sugere a possibilidade de síndrome antifosfolípide secundária, que aumenta o risco de trombose. O manejo do LES é individualizado e visa controlar a inflamação, prevenir danos aos órgãos e melhorar a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Lúpus Eritematoso Sistêmico?

O diagnóstico de LES é baseado em critérios clínicos (artrite, serosite, lesões cutâneas, acometimento renal, neurológico, hematológico) e imunológicos (FAN, anti-DNA, anti-Sm, anticardiolipina, etc.).

Como a nefrite lúpica se manifesta e qual sua importância?

A nefrite lúpica manifesta-se com proteinúria, hematúria, cilindros urinários e pode levar à insuficiência renal. É uma das manifestações mais graves do LES e requer tratamento agressivo.

Qual a relevância dos anticorpos anticardiolipina no LES?

Anticorpos anticardiolipina são parte dos anticorpos antifosfolípides e sua presença no LES aumenta o risco de eventos trombóticos (arteriais e venosos) e complicações obstétricas, caracterizando a síndrome antifosfolípide secundária.

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