SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022
Mulher de 28 anos, com IMC = 25kg/m², recentemente iniciou astenia, poliartrite não erosiva e lesões de pele em face e braços com fotossensibilidade. Os exames laboratoriais revelam anemia, trombocitopenia (100.000/mm³), linfopenia e aumento agudo das escórias nitrogenadas, com spot de proteína/creatinina = 5. A sorologia demonstra fator reumatoide positivo e FAN positivo em título de 1:320 com padrão periférico. A ultrassonografia abdominal não revela alterações. O diagnóstico mais provável e a melhor conduta inicial, respectivamente, são:
Mulher jovem com poliartrite, fotossensibilidade, citopenias, proteinúria e FAN periférico → LES com nefrite, indicar biópsia renal.
O quadro clínico (poliartrite, fotossensibilidade, citopenias) e laboratorial (FAN padrão periférico, proteinúria, ↑ escórias) é altamente sugestivo de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) com acometimento renal. A biópsia renal é fundamental para classificar a nefrite lúpica e guiar o tratamento.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, multissistêmica, que pode afetar virtualmente qualquer órgão ou sistema. É mais comum em mulheres jovens e se manifesta com uma ampla gama de sintomas, tornando seu diagnóstico um desafio. A presença de poliartrite não erosiva, lesões cutâneas com fotossensibilidade, citopenias (anemia, trombocitopenia, linfopenia) e acometimento renal (proteinúria, aumento de escórias nitrogenadas) é altamente sugestiva de LES. O diagnóstico laboratorial é suportado por exames como o Fator Antinúcleo (FAN) positivo, especialmente com padrões como o periférico (ou rim-like), que está fortemente associado à presença de anticorpos anti-DNA de dupla hélice, marcadores específicos e de mau prognóstico no LES. A presença de proteinúria significativa e disfunção renal indica nefrite lúpica, uma das manifestações mais graves da doença. A conduta inicial em casos de suspeita de nefrite lúpica é a realização de biópsia renal. Este procedimento é crucial para classificar histologicamente a nefrite (classes I a VI), avaliar a atividade e cronicidade das lesões, e, assim, guiar a escolha do tratamento imunossupressor mais adequado, que pode incluir corticosteroides, micofenolato de mofetila ou ciclofosfamida, visando preservar a função renal e melhorar o prognóstico a longo prazo.
O LES pode se manifestar com poliartrite, lesões cutâneas (fotossensibilidade, rash malar), serosite, citopenias (anemia, leucopenia, trombocitopenia), acometimento renal e neurológico. Laboratorialmente, FAN positivo é um rastreio, e anticorpos anti-DNA de dupla hélice e anti-Sm são específicos.
A biópsia renal é fundamental para classificar o tipo histológico da nefrite lúpica (classes I a VI), determinar a atividade e cronicidade da lesão, e guiar a escolha do regime imunossupressor mais adequado, impactando diretamente o prognóstico renal.
O padrão periférico (ou rim-like) do FAN é altamente sugestivo da presença de anticorpos anti-DNA de dupla hélice, que são marcadores específicos para o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico e frequentemente associados a maior gravidade da doença, incluindo nefrite lúpica.
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