SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Uma mulher de 23 anos de idade, com antecedentes de lúpus eritematoso sistêmico com atividade articular bem controlada, em uso de hidroxicloroquina, compareceu ao pronto‑socorro com quadro agudo de tosse, dispneia, febre, náusea e mal‑estar, desidratação, piora das dores articulares e rash malar. Nos exames admissionais, constatou‑se ureia de 88 e creatinina de 2,1. Foi notada a presença de consolidação em base direita nos raios X de tórax. A paciente fez exames ambulatoriais recentes que não apresentaram alteração na função renal.Com base nessa situação hipotética, quanto à investigação da etiologia da injúria renal apresentada, assinale a alternativa que apresenta o tratamento correto.
LES com injúria renal aguda e piora clínica → Investigar atividade lúpica (C3, C4, anti-DNA, proteinúria) e causas secundárias.
Em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) que apresentam injúria renal aguda e piora dos sintomas sistêmicos, é fundamental investigar tanto a atividade da doença lúpica (nefrite lúpica) quanto outras causas agudas, como infecções ou desidratação. A avaliação de C3, C4, anti-DNA e proteinúria é crucial para monitorar a atividade lúpica e guiar o tratamento.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, que pode afetar praticamente qualquer órgão, incluindo os rins. A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do LES e uma das principais causas de morbimortalidade. Pacientes com LES podem apresentar injúria renal aguda (IRA) por diversas causas, incluindo exacerbação da nefrite lúpica, necrose tubular aguda por desidratação ou sepse, ou nefrotoxicidade medicamentosa. A investigação da IRA em um paciente lúpico requer uma abordagem sistemática. Primeiramente, é fundamental avaliar e corrigir fatores pré-renais, como a desidratação, que pode ser exacerbada por sintomas como náuseas e febre. Simultaneamente, deve-se investigar a atividade da doença lúpica através de marcadores como os níveis séricos de complemento (C3 e C4), anticorpos anti-DNA de dupla hélice, e a presença e quantificação de proteinúria. A piora de sintomas sistêmicos como rash malar e artralgia sugere atividade lúpica. O tratamento inicial deve focar na estabilização do paciente, incluindo hidratação vigorosa. A depender da confirmação de atividade lúpica renal, a terapia imunossupressora pode ser intensificada. A biópsia renal é um procedimento crucial para determinar a classe histológica da nefrite lúpica, o grau de atividade e cronicidade, orientando a escolha do regime imunossupressor mais adequado e o prognóstico a longo prazo.
Além da avaliação da função renal (ureia, creatinina), é crucial solicitar exames como C3, C4 e anti-DNA para avaliar a atividade da doença lúpica, e a pesquisa de proteinúria para quantificar o dano renal.
A desidratação pode causar uma injúria renal aguda pré-renal, especialmente em pacientes com LES que já podem ter uma reserva renal comprometida ou estarem em uso de medicamentos nefrotóxicos, piorando rapidamente a função renal.
A biópsia renal é indicada para confirmar o diagnóstico de nefrite lúpica, determinar a classe histológica, avaliar a atividade e cronicidade da doença, e guiar a terapia imunossupressora, especialmente em casos de injúria renal progressiva ou proteinúria significativa.
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