INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma mulher de 31 anos é encaminhada à consulta ambulatorial por apresentar dores articulares intermitentes há 3 meses. Relata que as dores acometem as articulações das mãos, punhos, joelhos e tornozelos, de forma migratória e não aditiva. As dores pioram ao acordar e melhoram com a movimentação. Durante as crises, sente calor e apresenta rubor e edemas locais, sem deformidades articulares. Afirma estar mais cansada do que o habitual. Refere ter buscado atendimento médico na unidade de pronto-atendimento. Na ocasião, fez uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides, houve melhora momentânea, mas logo os sintomas reapareceram. Relata que, nas últimas consultas, sua pressão esteve elevada, sendo-lhe prescrito hidroclorotiazida 25 mg ao dia. Até o início desse quadro, não apresentava antecedentes pessoais, ou utilizava medicações de uso contínuo, apenas anticoncepcional hormonal oral. Refere que sua mãe tem diabete tipo 2. Nega etilismo e tabagismo, afirma ir à academia 3 a 4 vezes na semana. Na revisão de sistemas, refere ter dor e cianose nos dedos das mãos ao contato com água fria. Ao exame físico, apresenta dados vitais e antropométricos normais, mucosas descoradas (2+/4+) e ictéricas (1+/4+), úlceras orais indolores, com dor à palpação e movimentação das articulações das mãos, do punho e do joelho direito. Não apresenta edemas, calor, nódulos, crepitações ou deformidades. Demais segmentos estão sem anormalidades.Em hemograma, apresenta hemoglobina de 10,8%, leucócitos de 3.850 mm³, linfócitos em 1.300 mm³ e plaquetas em 88.000 mm³.Qual é o exame mais indicado para a conclusão diagnóstica?
Mulher jovem com artralgia migratória + Raynaud + úlceras orais + citopenias + HAS → suspeitar LES, pedir FAN.
O quadro clínico de uma mulher jovem com artralgia migratória, fenômeno de Raynaud, úlceras orais indolores, citopenias (anemia, leucopenia, plaquetopenia) e hipertensão arterial é altamente sugestivo de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). O Anticorpo Antinuclear (FAN) é o exame de triagem mais sensível para LES.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, inflamatória e multissistêmica, que afeta predominantemente mulheres em idade fértil. Sua prevalência varia, mas é uma das doenças reumatológicas mais desafiadoras devido à sua heterogeneidade clínica e potencial para acometimento de múltiplos órgãos, sendo crucial para residentes reconhecer seus sinais precocemente. A fisiopatologia do LES envolve a produção de autoanticorpos contra componentes nucleares, levando à formação de imunocomplexos e inflamação tecidual. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais (ACR/EULAR). O caso apresenta artralgia migratória, fenômeno de Raynaud, úlceras orais indolores, e citopenias (anemia, leucopenia, plaquetopenia), além de hipertensão (que pode ser nefrite lúpica), todos altamente sugestivos de LES. O Anticorpo Antinuclear (FAN) é o exame de triagem mais sensível para LES, sendo positivo em quase todos os pacientes. Um FAN positivo requer a pesquisa de autoanticorpos mais específicos, como anti-dsDNA e anti-Sm, para confirmação diagnóstica e avaliação de atividade da doença. O tratamento é individualizado, visando controlar a inflamação e prevenir danos orgânicos.
Manifestações incluem artralgia/artrite, lesões cutâneas (rash malar, fotossensibilidade), úlceras orais, serosite, fenômeno de Raynaud, e envolvimento renal, neurológico ou hematológico, como as citopenias descritas.
O FAN é um teste de triagem altamente sensível para LES, estando positivo em mais de 95% dos pacientes. Um FAN negativo torna o diagnóstico de LES improvável, sendo o primeiro passo na investigação de doenças autoimunes sistêmicas.
As citopenias comuns no LES incluem anemia (anemia de doença crônica, hemolítica), leucopenia (linfopenia é mais comum) e plaquetopenia, todas presentes no hemograma da paciente, reforçando a suspeita.
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