FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 28 anos apresenta-se ao consultório devido alteração no exame de urina. Trazia exames com proteinúria 1g/24 horas e anemia - hemoglobina 10,5 g/dL. Em investigação apresentou FAN positivo 1:360. Realizada biópsia renal, demonstrava nefrite lúpica classe 4. Com base nos achados acima, em relação ao diagnóstico da paciente:
LES: FAN positivo + nefrite lúpica classe 4 (biópsia) é suficiente para diagnóstico, mesmo sem outros sintomas.
O diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico é complexo e baseado em critérios classificatórios. A presença de FAN positivo em titulação elevada, juntamente com evidência de nefrite lúpica confirmada por biópsia renal, é um achado altamente sugestivo e muitas vezes suficiente para o diagnóstico, mesmo na ausência de outras manifestações clínicas evidentes no momento da avaliação.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, multissistêmica, de etiologia complexa e manifestações clínicas variadas, que pode afetar virtualmente qualquer órgão. É mais comum em mulheres jovens e tem um impacto significativo na morbidade e mortalidade. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir danos orgânicos irreversíveis. A fisiopatologia do LES envolve a produção de autoanticorpos contra componentes nucleares, levando à formação de imunocomplexos e inflamação tecidual. O FAN (Fator Antinuclear) é o teste de triagem mais sensível, mas não específico. Os critérios classificatórios EULAR/ACR 2019 são amplamente utilizados para o diagnóstico, exigindo um FAN positivo e pontos em domínios clínicos e imunológicos. A nefrite lúpica, especialmente a Classe IV (nefrite difusa proliferativa), é uma das manifestações mais graves e seu diagnóstico requer biópsia renal. O tratamento do LES é individualizado e visa controlar a atividade da doença, prevenir surtos e minimizar danos orgânicos. Inclui imunossupressores (corticoides, micofenolato, ciclofosfamida), antimaláricos (hidroxicloroquina) e, em casos refratários, terapias biológicas. Para residentes, a capacidade de integrar achados clínicos e laboratoriais para um diagnóstico preciso e iniciar um tratamento adequado é fundamental para o manejo de pacientes com LES.
O diagnóstico de LES requer a presença de FAN positivo e pelo menos 10 pontos nos critérios classificatórios EULAR/ACR 2019, que incluem domínios clínicos (como nefrite, artrite, serosite) e imunológicos (como anti-dsDNA, anti-Sm).
A biópsia renal é crucial para confirmar o diagnóstico de nefrite lúpica, classificar o tipo histológico (ex: Classe IV, nefrite difusa proliferativa) e avaliar a atividade e cronicidade da doença, o que guia o tratamento e o prognóstico.
Não, um FAN positivo pode ser encontrado em indivíduos saudáveis ou em outras doenças autoimunes. Para o diagnóstico de LES, o FAN deve ser positivo em titulação elevada e associado a outros critérios clínicos e/ou imunológicos.
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