Diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico e Nefrite

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma mulher branca de 22 anos vem à consulta ambulatorial com queixa de inchaço há uma semana, inicialmente nos pés, com piora progressiva. Atualmente, percebe até o rosto inchado. Há cerca de um mês refere astenia, náuseas, falta de apetite e mal-estar, bem como dores nos punhos e articulações interfalangeanas proximais. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, hipocorada (++/4+), hidratada, temperatura axilar = 37,7ºC. Murmúrio vesicular presente e simétrico, sem ruídos adventícios; ritmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopros, P A = 160 x 110 mmHg, FC = 120 bpm. Abdome flácido, sem visceromegalias. Edema de MMII ++/4+. Trouxe exame de sangue realizado no pronto-socorro há três dias, de acordo com o quadro a seguir: Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta no caso será solicitar:

Alternativas

  1. A) Sumário de urina, avaliação de função renal e pesquisa de autoanticorpos específicos (anti-Sm e anti-DNA nativo). Iniciar enalapril 10 mg/dia para controle da pressão arterial.
  2. B) Avaliação do oftalmologista para investigação de uveíte, sumário de urina, proteína C reativa e VHS. Iniciar dieta hipossódica, com acompanhamento semanal da artrite.
  3. C) Ecocardiograma bidimensional, radiografia de tórax e avaliação de função renal. Iniciar dieta e exercício físico, com retorno em um mês para reavaliar a pressão arterial.
  4. D) Radiografia das mãos e punhos e auto-anticorpos como antipeptídeos citrulinados (anti-CCP) e fator reumatoide. Iniciar anti-inflamatórios não hormonais.
  5. E) Radiografia de tórax, cultura de orofaringe e anticorpo antiestreptolisina O. Iniciar anti inflamatório não esteroide para controle da febre e artrite.

Pérola Clínica

Jovem + Artrite + Hipertensão + Edema → Suspeitar de LES (solicitar Anti-DNA/Sm + Urina).

Resumo-Chave

O quadro de poliartrite, hipertensão e edema em mulher jovem é altamente sugestivo de Lúpus Eritematoso Sistêmico com nefrite, exigindo triagem sorológica e avaliação renal imediata.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica que afeta predominantemente mulheres em idade fértil. O caso clínico apresenta a tríade clássica de manifestações: sistêmicas (astenia, febre), articulares (poliartrite de pequenas articulações) e renais (edema e hipertensão sugerindo síndrome nefrítica/nefrótica). A conduta diagnóstica baseia-se nos critérios classificatórios (ACR ou SLICC), que incluem a pesquisa de autoanticorpos específicos. O Anti-Sm é altamente específico, enquanto o Anti-DNA nativo é útil tanto para o diagnóstico quanto para o monitoramento da atividade renal. O manejo inicial deve focar na estabilização hemodinâmica e na confirmação laboratorial para iniciar a imunossupressão adequada.

Perguntas Frequentes

Quais os principais autoanticorpos para confirmar LES?

O FAN (Fator Antinuclear) é o teste de triagem inicial devido à sua alta sensibilidade. No entanto, para confirmar o diagnóstico, buscam-se anticorpos mais específicos: o Anti-DNA nativo (que também correlaciona-se com atividade de doença e nefrite) e o Anti-Sm, que é o marcador mais específico para o Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Como identificar o acometimento renal no lúpus?

A nefrite lúpica é sugerida pela presença de edema, hipertensão arterial e alterações no sumário de urina (sedimento urinário ativo com hematúria, cilindros celulares e proteinúria). A avaliação da função renal através da creatinina e a quantificação de proteína em urina de 24h ou relação proteína/creatinina urinária são passos fundamentais.

Por que o controle da pressão arterial é urgente neste caso?

A hipertensão na nefrite lúpica indica dano renal agudo ou crônico e aumenta o risco de complicações cardiovasculares e progressão da doença renal. O uso de inibidores da ECA (como o enalapril) é frequentemente indicado, pois além de controlar a pressão, possuem efeito antiproteinúrico e nefroprotetor.

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