UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Paciente do sexo feminino, 30 anos, apresentando há 15 dias quadro de astenia, febre vespertina, dispneia moderada, dor torácica, queda de cabelo importante, poliartrite simétrica em médias e pequenas juntas, linfoadenopatia notadamente cervical, úlceras orais dolorosas em palato e oligúria com anasarca. Apresentou picos hipertensivos moderados. A família relatou alterações de comportamento tais como confusão mental, esquecimento, introspecção e sono agitado. Nega lesões cutâneas e uso de quaisquer fármacos. Houve relato de alguns episódios anteriores de fotossensibilidade cutânea ao se expor demoradamente à luz solar. Com base apenas nessa história clínica, qual o diagnóstico MAIS PROVÁVEL:
Mulher jovem com poliartrite, úlceras orais, fotossensibilidade, nefrite e sintomas neuropsiquiátricos → Alta suspeita de LES.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença autoimune multissistêmica que pode afetar virtualmente qualquer órgão. A combinação de sintomas articulares, cutâneos, renais e neuropsiquiátricos em uma mulher jovem é altamente sugestiva de LES.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, inflamatória e multissistêmica, que afeta predominantemente mulheres em idade fértil. Sua epidemiologia global é significativa, e a complexidade de suas manifestações clínicas o torna um desafio diagnóstico. O LES é caracterizado pela produção de autoanticorpos contra componentes nucleares, resultando em inflamação e dano tecidual em diversos órgãos. O diagnóstico do LES é baseado em uma combinação de critérios clínicos e laboratoriais. A apresentação clínica é extremamente heterogênea, podendo incluir sintomas constitucionais (febre, astenia), articulares (poliartrite simétrica), cutâneos (fotossensibilidade, queda de cabelo), mucosos (úlceras orais), hematológicos (linfoadenopatia), renais (nefrite lúpica com oligúria, anasarca, hipertensão) e neuropsiquiátricos (confusão mental, alterações de comportamento). A presença de múltiplos desses sintomas em um paciente jovem deve levantar forte suspeita. O tratamento do LES é individualizado e visa controlar a atividade da doença, prevenir danos orgânicos e melhorar a qualidade de vida. Inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), antimaláricos (hidroxicloroquina), corticosteroides e imunossupressores, dependendo da gravidade e dos órgãos envolvidos. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço das terapias, mas o manejo contínuo e o monitoramento das complicações são essenciais.
O envolvimento renal no LES, conhecido como nefrite lúpica, pode variar de proteinúria leve a glomerulonefrite proliferativa difusa, manifestando-se com oligúria, anasarca e picos hipertensivos, como no caso clínico.
As manifestações neuropsiquiátricas do LES são diversas e incluem confusão mental, esquecimento, psicose, convulsões, cefaleia e alterações de humor, sendo um critério importante para o diagnóstico.
Os diferenciais do LES incluem outras doenças reumáticas autoimunes como artrite reumatoide, síndrome de Sjögren, esclerose sistêmica, bem como infecções crônicas e vasculites.
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