PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Mulher, 35 anos de idade, comparece ao ambulatório para investigação de dores articulares persistentes, principalmente em mãos e punhos, há cerca de 6 meses. Relata fadiga constante, emagrecimento não intencional de 3kg, nesse período, e episódios de febre baixa intermitente. Refere aparecimento de manchas avermelhadas no rosto após exposição ao sol e queda de cabelo difusa. Ao exame físico, apresenta artrite em articulações metacarpofalângicas e interfalângicas proximais, além de leve edema nas mãos. Exames laboratoriais prévios mostraram hemoglobina: 11,2g/dL, plaquetas: 120.000/mm³ e leucócitos: 3.800/mm³.Responda de acordo com a European League Against Rheumatism e a American College of RheumatologyIndique o esquema farmacológico inicial mais adequado para essa paciente:
LES leve/moderado → Hidroxicloroquina (base) + Corticoide em baixa dose para controle inicial.
A hidroxicloroquina é a terapia de base para todos os pacientes com LES, reduzindo flares e mortalidade, enquanto corticoides em baixa dose controlam sintomas articulares e constitucionais.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica crônica. O manejo moderno baseia-se na estratificação da gravidade. Para manifestações musculoesqueléticas e cutâneas, o padrão-ouro é a combinação de antimaláricos com pulsos curtos ou doses baixas de corticoides. As diretrizes EULAR/ACR enfatizam que a hidroxicloroquina deve ser mantida continuamente para manter a remissão. O uso de imunossupressores como metotrexato ou leflunomida é reservado para casos onde não há resposta satisfatória à terapia inicial ou para permitir a redução da dose de prednisona. A vigilância oftalmológica anual é necessária para pacientes em uso prolongado de hidroxicloroquina.
A hidroxicloroquina é recomendada para todos os pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico, a menos que haja contraindicação absoluta (como maculopatia prévia). Ela não apenas controla sintomas cutâneos e articulares, mas também demonstrou reduzir a frequência de crises (flares), prevenir danos orgânicos a longo prazo, diminuir o risco de eventos trombóticos e reduzir a mortalidade geral. É a droga 'âncora' do tratamento lúpico.
Os glicocorticoides, como a prednisona, são utilizados para o controle rápido de sintomas inflamatórios e constitucionais (febre, fadiga, artrite). No entanto, a tendência atual é utilizar a menor dose possível pelo menor tempo necessário (estratégia de 'poupadores de corticoide'). Em casos leves a moderados, doses baixas (≤ 7,5 mg/dia ou 0,1-0,2 mg/kg/dia) costumam ser suficientes para a ponte até que os antimaláricos atinjam eficácia plena.
A paciente apresenta critérios clínicos e laboratoriais robustos conforme o ACR/EULAR 2019: artrite inflamatória (metacarpofalângicas), alopecia não cicatricial, fotossensibilidade (manchas após sol), febre e alterações hematológicas (anemia, leucopenia e plaquetopenia). A presença de múltiplos domínios acometidos confirma a alta probabilidade diagnóstica, exigindo início imediato da terapia de manutenção.
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