HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é a doença autoimune mais frequente na mulher em idade fértil. Nas pacientes portadoras da doença, a gestação é de alto risco, apesar da redução importante da morbidade e mortalidade materna e fetal nos últimos anos. Nesse contexto, assinale a alternativa que representa a melhor conduta em relação às pacientes gestantes portadoras de anticorpo anti-Ro:
Anti-Ro+ na gestação → Ecocardiograma fetal seriado (16-26 sem) para rastrear bloqueio cardíaco.
Pacientes com anticorpos anti-Ro/SSA apresentam risco de lúpus neonatal e bloqueio atrioventricular congênito; o rastreio com ecocardiografia fetal precoce e seriada é mandatório.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) na gestação é classificado como alto risco devido às chances de exacerbação da doença, pré-eclâmpsia e complicações fetais. A presença de anticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB é um marcador específico para o lúpus neonatal, cuja manifestação mais grave é o bloqueio cardíaco congênito. A fisiopatologia envolve a transferência transplacentária de IgG materna que se liga ao tecido cardíaco fetal, causando fibrose do nó atrioventricular. A detecção precoce através da ecocardiografia fetal com doppler colorido é a estratégia padrão para monitorar a condução atrioventricular. Diferente da ultrassonografia morfológica, o eco fetal foca na dinâmica hemodinâmica e no ritmo cardíaco. O manejo exige integração entre reumatologista, obstetra de alto risco e cardiologista pediátrico para otimizar o desfecho materno-fetal.
O anticorpo anti-Ro (SSA) pode atravessar a placenta e causar uma reação inflamatória no sistema de condução cardíaco do feto, levando ao bloqueio atrioventricular total (BAVT) congênito. O ecocardiograma fetal com doppler permite avaliar o intervalo PR e detectar precocemente sinais de bloqueio de primeiro ou segundo grau, que podem ser passíveis de intervenção terapêutica antes de evoluírem para o bloqueio total irreversível.
O período de maior risco para o desenvolvimento de lesão cardíaca mediada por anticorpos maternos ocorre entre a 16ª e a 26ª semana de gestação. Durante este intervalo, recomenda-se a realização de ecocardiogramas fetais seriados (geralmente semanais ou quinzenais) para monitorar o ritmo cardíaco e a função mecânica do coração fetal em pacientes com títulos positivos de anti-Ro ou anti-La.
Se forem detectados bloqueios de primeiro ou segundo grau, ou sinais de miocardite fetal, o uso de corticosteroides fluorados (como a dexametasona ou betametasona), que atravessam a placenta, pode ser considerado para tentar reduzir a inflamação e impedir a progressão para bloqueio de terceiro grau (BAVT), embora a eficácia seja debatida e o BAVT estabelecido seja considerado irreversível.
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