HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Maria de 29 anos de idade, secundigesta e primipara, vem para a consulta de pré natal com 8 semanas e 2 dias de gestação. Está preocupada pois tem lúpus eritematoso sistêmico com acometimento cutâneo, articular e hematológico. Refere última crise há 7 meses e está em uso de hidroxicloroquina 400 mg e prednisona 10 mg por dia. Qual é a orientação com relação ao uso de hidroxicloroquina e prednisona na fase inicial da gestação?
LES na gestação → Manter hidroxicloroquina e prednisona para controle da doença e prevenção de flares.
A hidroxicloroquina é segura e recomendada para manutenção do LES na gestação, prevenindo exacerbações e complicações. A prednisona, um corticoide de baixa dose, também é considerada segura e essencial para o controle da atividade da doença, minimizando riscos maternos e fetais.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que afeta predominantemente mulheres em idade fértil. A gestação em pacientes com LES requer um planejamento cuidadoso e um acompanhamento multidisciplinar rigoroso, devido aos riscos aumentados de complicações maternas e fetais, como exacerbações da doença, pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e lúpus neonatal. O ideal é que a concepção ocorra durante um período de remissão da doença de pelo menos 6 meses. O manejo do LES na gestação visa manter a doença em remissão para otimizar os desfechos. A hidroxicloroquina é considerada a medicação de base e deve ser mantida durante toda a gestação, pois é segura e eficaz na prevenção de flares e na redução do risco de lúpus neonatal. Corticoides, como a prednisona em baixas doses, também são seguros e frequentemente necessários para controlar a atividade da doença ou tratar exacerbações agudas. A decisão de manter ou ajustar a medicação deve ser individualizada, considerando a atividade da doença, os riscos e benefícios para a mãe e o feto. É crucial evitar a suspensão de medicamentos eficazes que são considerados seguros, pois a atividade da doença descontrolada representa um risco muito maior. Outros imunossupressores, como azatioprina, podem ser mantidos, enquanto metotrexato e micofenolato de mofetila são estritamente contraindicados e devem ser substituídos antes da concepção.
O LES ativo na gestação aumenta os riscos de pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro, aborto espontâneo e lúpus neonatal. O controle da doença é fundamental para minimizar essas complicações.
A hidroxicloroquina atravessa a placenta, mas não tem sido associada a teratogenicidade. Ela reduz a atividade da doença, previne flares, diminui o risco de lúpus neonatal e melhora os desfechos gestacionais.
Azatioprina e ciclosporina são geralmente consideradas seguras. Metotrexato, micofenolato de mofetila e ciclofosfamida são contraindicados devido ao alto risco de teratogenicidade e devem ser suspensos antes da concepção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo