Lúpus Eritematoso Sistêmico: Diagnóstico e Sinais Chave

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 24 anos apresenta aftas orais indolores, recorrentes há 6 meses. Há 4 meses apresenta artralgia de interfalangeanas proximais da mão direita e punho esquerdo com calor, rubor, aumento de volume, piora ao repouso, melhora ao movimento e rigidez matinal de 1 hora. Há 7 dias as artralgias das mãos e dos punhos desapareceram, mas surgiram no joelho direito e tornozelo esquerdo com as mesmas características. Evoluiu com hematomas nas coxas e sangramentos espontâneos de mucosa nasal e gengival. EF: ausência de artrite ou deformidades. Os exames complementares a solicitar e a provável etiologia são, respectivamente.

Alternativas

  1. A) hemograma, coagulograma, dosagem do fator VIII, provas inflamatórias (PCR e VHS); Hemofilia Primária.
  2. B) látex (fator reumatoide), provas inflamatórias (VHS e PCR), radiografias de mãos; Artrite Reumatoide.
  3. C) FAN, hemograma, urina tipo I, proteinúria 24 h, complementos, anti-SM, anti-dsDNA, anticardiolipinas, anticoagulante Iúpico; Lúpus Eritematoso Sistêmico.
  4. D) dosagem de HLA-B27, ressonância magnética de sacroilíacas, provas inflamatórias (PCR e VHS), radiografias de colunas e bacia; Espondiloartrite Axial não Radiográfica.

Pérola Clínica

Artralgia migratória + aftas + sangramentos + fenômenos autoimunes → Investigar LES com FAN, anti-dsDNA, anticoagulante lúpico.

Resumo-Chave

O quadro clínico de artralgia migratória, aftas orais recorrentes e manifestações hemorrágicas (hematomas, sangramentos mucosos) em uma mulher jovem é altamente sugestivo de Lúpus Eritematoso Sistêmico, exigindo uma investigação laboratorial abrangente para autoanticorpos e avaliação de acometimento renal e hematológico.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, multissistêmica, de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente mulheres em idade fértil. Sua prevalência varia, mas é uma condição comum na prática reumatológica. O reconhecimento precoce é crucial, pois o LES pode causar danos irreversíveis a órgãos vitais, como rins, coração, pulmões e sistema nervoso central. O diagnóstico do LES é complexo e baseia-se em critérios clínicos e laboratoriais. A apresentação clínica é heterogênea, com sintomas que podem incluir artralgia ou artrite (frequentemente migratória e não deformante), lesões cutâneas (rash malar, lúpus discoide), fotossensibilidade, úlceras orais ou nasais, serosite, acometimento renal (nefrite lúpica), neurológico, hematológico (citopenias) e vascular (fenômenos trombóticos). A presença de autoanticorpos como FAN, anti-dsDNA e anti-Sm é fundamental para o diagnóstico. O tratamento do LES é individualizado e visa controlar a atividade da doença, prevenir surtos e minimizar o dano orgânico. Inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para sintomas leves, antimaláricos (hidroxicloroquina) para a maioria dos pacientes, corticosteroides para surtos e doença grave, e imunossupressores (azatioprina, micofenolato mofetil, ciclofosfamida) para acometimento de órgãos maiores. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço das terapias, mas a monitorização contínua é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais manifestações clínicas sugerem fortemente o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico?

Manifestações como artralgia ou artrite migratória, aftas orais recorrentes, lesões cutâneas (ex: hematomas, sangramentos mucosos), fadiga, febre e envolvimento de múltiplos órgãos (renal, hematológico, neurológico) em uma mulher jovem são altamente sugestivas de LES.

Quais exames laboratoriais são essenciais para a investigação de Lúpus Eritematoso Sistêmico?

A investigação deve incluir FAN (anticorpo antinuclear), hemograma completo, urina tipo I, proteinúria de 24 horas, complementos (C3, C4), anti-SM, anti-dsDNA, anticardiolipinas e anticoagulante lúpico. Esses exames auxiliam na confirmação diagnóstica e na avaliação do acometimento orgânico.

Como diferenciar a artrite do Lúpus Eritematoso Sistêmico de outras artropatias?

A artrite do LES é tipicamente não erosiva e migratória, diferentemente da Artrite Reumatoide, que é simétrica, erosiva e persistente. A presença de outras manifestações sistêmicas como aftas, serosite, nefrite, citopenias e autoanticorpos específicos (anti-dsDNA, anti-SM) ajuda a diferenciar o LES.

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