INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Uma mulher de 27 anos de idade, de etnia afrodescendente, retorna ao ambulatório de clínica médica para mostrar os resultados dos exames complementares solicitados na última consulta. A paciente havia sido atendida em função de sintomas constitucionais (febre intermitente, mal-estar, anorexia, desânimo e artralgias) e importante queda de cabelos. Ao exame físico, havia sido observada a presença de sinovite em punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos. Além de padrão de alopecia generalizada (eflúvio telógeno). Havia histórico familiar de artrite reumatoide, lupus eritematoso e tireoidite de Hashimoto. A paciente negava tabagismo e etilismo, referindo apenas uso regular de contraceptivo hormonal oral. Os resultados dos exames complementares solicitados à ocasião da 1ª consulta revelaram: hemoglobina = 10,2 g/dL (valor de referência: 12 a 15,5 g/dL); contagem de plaquetas = 102 000/mm³ (valor de referência: 150 000 a 400 000/mm³); leucograma (incluindo diferencial) normal; TSH = 8 UI/ml (valor de referência: 0,5 a 5,0 UI/ml); T4 livre = 1,2 ng/dL (valor de referência: 0,9 a 1,9 ng/dL); FAN = presente em título 1:640 (valor de referência < 1:80), padrão periférico; anti-DNAds: presente em título 1:240 (valor de referência < 1:100); C3: 33 mg/dL (valor de referência: 90 a 180 mg/dl); VDRL + 1:4 (valor de referência: negativo); IgG anticardiolipina: 12 GPL (valor de referência < 10 GPL); ureia: 44 mg/dL (valor de referência: 20 a 40 mg/dL); creatinina = 1,2 mg/dL (valor de referência: 0,7 a 1,1 mg/dL); exame de urina tipo I com hematúria microscópica e proteinúria leve a moderada; SPOT urinário com proteinúria estimada de 560 mg (valor de referência < 151 mg). Diante dos dados apresentados, a melhor explicação diagnóstica para o caso é
LES: FAN+, anti-DNAds+, hipocomplementemia, citopenias, artrite, nefrite, VDRL falso+ → Nefrite lúpica com proteinúria e hematúria.
A paciente apresenta múltiplos critérios para Lúpus Eritematoso Sistêmico, incluindo manifestações sistêmicas (febre, artralgias, alopecia, citopenias) e laboratoriais (FAN, anti-DNAds, hipocomplementemia). A presença de hematúria microscópica, proteinúria e elevação de ureia/creatinina são indicativos claros de acometimento renal, caracterizando a nefrite lúpica.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, mais comum em mulheres jovens e de etnia afrodescendente, com uma prevalência significativa. Sua importância clínica reside na ampla gama de manifestações que podem afetar praticamente qualquer órgão ou sistema, tornando o diagnóstico um desafio e exigindo alta suspeição. A compreensão de seus critérios diagnósticos e manifestações é fundamental para o residente. A fisiopatologia do LES envolve a produção de autoanticorpos contra componentes nucleares, como o FAN e o anti-DNAds, que formam imunocomplexos e desencadeiam inflamação. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais, incluindo citopenias, artrite, serosite, lesões cutâneas, e o acometimento renal, conhecido como nefrite lúpica, que é uma das principais causas de morbimortalidade. A suspeita deve surgir diante de sintomas constitucionais inespecíficos associados a achados laboratoriais autoimunes. O tratamento do LES é individualizado e visa controlar a atividade da doença, prevenir danos orgânicos e melhorar a qualidade de vida. A nefrite lúpica, em particular, requer terapia imunossupressora agressiva para preservar a função renal. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços terapêuticos, mas a doença ainda exige monitoramento contínuo e manejo de comorbidades, como o hipotireoidismo e a síndrome do anticorpo antifosfolipídio.
Os principais critérios incluem manifestações clínicas como artrite, serosite, lesões cutâneas, alterações neurológicas, hematológicas e renais, além de achados laboratoriais como FAN positivo, anti-DNAds, hipocomplementemia e anticorpos antifosfolipídio.
A nefrite lúpica manifesta-se por proteinúria, hematúria, cilindros e/ou elevação de ureia e creatinina. É uma das manifestações mais graves do LES, podendo levar à doença renal crônica se não tratada adequadamente.
Pacientes com LES podem apresentar VDRL falso positivo devido à presença de anticorpos antifosfolipídio, como o anticardiolipina, que reagem com o reagente do teste. A Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídio (SAF) é uma comorbidade comum no LES.
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