Lúpus Eritematoso Sistêmico: Diagnóstico e VDRL Falso Positivo

UOPCCAN - União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (PR) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 23 anos apresenta quadro de lesões de pele maculo papulares, dores articulares sem febre e outros sintomas com hábitos fisiológicos normais. Refere que de antecedente familiar a mãe apresenta doença no sangue não sabendo qual, pois não tem diagnóstico. No rastreio ambulatorial de exames gerais inespecíficos hemograma, ureia, creatinina, urina 1 e sorologias: HIV, hepatite e sífilis. Somente alterações na creatinina 1,56 e o VDRL com título de 1/36, FT-Abs negativo. Paciente realizou tratamento para sífilis, porém mesmo nos pós acompanhamento de 90 dias evoluiu com manchas purpúricas discóides e difusas. Pergunta-se o provável diagnostico diferencial é:

Alternativas

  1. A) Doença de Chagas aguda.
  2. B) Púrpura trombocitopnica.
  3. C) Dengue variante hemorrágica.
  4. D) Lúpus eritematoso sistêmico.
  5. E) Sindrome de Goodpasture.

Pérola Clínica

Lesões cutâneas, artralgia, creatinina ↑, VDRL falso positivo e FT-Abs negativo → suspeitar de Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Resumo-Chave

A presença de lesões cutâneas maculopapulares e purpúricas, dores articulares, disfunção renal (creatinina elevada) e um VDRL falso-positivo (com FT-Abs negativo, excluindo sífilis) em uma paciente jovem com história familiar de doença autoimune, são achados altamente sugestivos de Lúpus Eritematoso Sistêmico, que deve ser o principal diagnóstico diferencial.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos e uma ampla gama de manifestações clínicas. É mais comum em mulheres jovens e pode apresentar um curso imprevisível, com períodos de remissão e exacerbação. O diagnóstico é desafiador devido à sua heterogeneidade clínica e à ausência de um único teste diagnóstico definitivo. O caso apresentado ilustra vários pontos-chave para a suspeita de LES: lesões de pele (maculopapulares, purpúricas discóides e difusas), dores articulares, disfunção renal (creatinina elevada) e um VDRL falso-positivo. O VDRL falso-positivo, com FT-Abs negativo, é um achado clássico em pacientes com LES devido à presença de anticorpos antifosfolipídios. A história familiar de 'doença no sangue' (possivelmente autoimune) também reforça a suspeita. O diagnóstico diferencial do LES é extenso, mas os achados clínicos e laboratoriais específicos no caso apontam fortemente para esta condição. É crucial que o residente reconheça a importância de investigar a fundo esses sinais, solicitando exames complementares como FAN, anti-DNA, anti-Sm, complemento e, se necessário, biópsia renal, para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado, que geralmente envolve imunossupressores.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas comuns do Lúpus Eritematoso Sistêmico?

O LES pode afetar múltiplos órgãos e sistemas, com manifestações comuns incluindo artralgia/artrite, lesões cutâneas (ex: rash malar, lúpus discóide, fotossensibilidade), serosite, alterações hematológicas, envolvimento renal (nefropatia lúpica) e neurológico.

Por que o VDRL pode ser falso positivo no Lúpus Eritematoso Sistêmico?

O VDRL pode ser falso positivo no LES devido à presença de anticorpos antifosfolipídios, que reagem com a cardiolipina utilizada no teste. A ausência de sífilis é confirmada por testes treponêmicos específicos, como o FT-Abs, que resultam negativos.

Como a disfunção renal se manifesta no Lúpus Eritematoso Sistêmico?

A disfunção renal no LES é conhecida como nefropatia lúpica e pode variar de proteinúria assintomática a glomerulonefrite rapidamente progressiva, insuficiência renal crônica e hipertensão. A biópsia renal é frequentemente necessária para classificar a nefropatia e guiar o tratamento.

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