Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2022
SSP, feminina, 25 anos, natural e procedente de São Paulo. Vem ao serviço ambulatorial relatando "dores nas juntas há 6 meses". Relata que, há 1 ano, vem apresentando anorexia, com perda de 5kg nesse período. Apresenta episódios de febre baixa de curta duração, que ela associa a dores musculares e articulares há 6 meses. Caracteriza a dor articular como migratória, às vezes em mãos, punhos ou joelhos. Antecedente familiar: tia materna faleceu com câncer de mama aos 50 anos, e avó paterna com osteoartrite. Exame físico: BEG, anictérica, afebril, acianótica, fáceis atípicas, presença de eritema malar, FR = 18rpm, FC = 88bpm, PA = 120x80. Exame pulmonar: atrito pleural na esculta pulmonar. Exame cardíaco: nada digno de nota. Exame musculoesquelético: dor à palpação, hiperemia, edema, calor e bloqueio articular em punho esquerdo; deformidade tipo "pescoço de cisne" em terceiro quirodáctilo esquerdo; dor à palpação, hiperemia, edema, calor na 4ª interfalangiana distal. Qual é o diagnóstico principal dessa paciente?
LES: artrite migratória, eritema malar e serosite pleural em jovem → suspeita alta.
A paciente apresenta um quadro clínico clássico de Lúpus Eritematoso Sistêmico, com múltiplos critérios diagnósticos envolvidos. A combinação de artrite migratória, eritema malar, serosite (atrito pleural) e sintomas constitucionais como febre baixa e perda de peso é altamente sugestiva.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, inflamatória e multissistêmica, que afeta predominantemente mulheres jovens. Sua prevalência varia, sendo mais comum em certas etnias. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir danos orgânicos irreversíveis e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia do LES envolve uma complexa interação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos, resultando na produção de autoanticorpos e inflamação tecidual. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais (ACR ou EULAR/ACR). A suspeita deve surgir diante de um quadro com sintomas constitucionais, artrite, lesões cutâneas, serosite ou envolvimento de múltiplos órgãos. O tratamento do LES é individualizado, visando controlar a inflamação, prevenir surtos e minimizar os danos orgânicos. Inclui o uso de anti-inflamatórios não esteroides, antimaláricos (hidroxicloroquina), glicocorticoides e imunossupressores. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços terapêuticos, mas a doença ainda requer monitoramento contínuo devido ao risco de complicações e comorbidades.
Os critérios diagnósticos para Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) incluem manifestações clínicas como artrite, serosite, lesões cutâneas (eritema malar, lúpus discoide), alterações renais, neurológicas, hematológicas e imunológicas (anticorpos antinucleares, anti-DNA, anti-Sm, etc.).
A artrite lúpica é tipicamente não erosiva e pode ser migratória, enquanto a artrite reumatoide é classicamente erosiva e simétrica, levando a deformidades fixas. Embora a deformidade "pescoço de cisne" possa ocorrer em ambas, a natureza não erosiva favorece o lúpus.
As manifestações mais comuns do LES incluem fadiga, artralgia/artrite, lesões cutâneas (eritema malar, fotossensibilidade), serosite (pleurite, pericardite), febre, perda de peso e fenômeno de Raynaud. O envolvimento renal e neurológico também é frequente e grave.
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