UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021
Paciente de 32 anos, sexo masculino, dá entrada no pronto atendimento com quadro de confusão mental e tremor de extremidades. Familiar refere que paciente apresenta quadro de náuseas e vômitos há três dias. Ao abordar o paciente você percebe que o mesmo está corado, anictérico, acianótico e afebril. Na ausculta, o que chama atenção é um atrito pericárdico e níveis tensionais elevados. Considerando que, previamente, o paciente era saudável e com exames de bioquímica geral normais, e que, o contexto clínico é agudo, uma hipótese diagnóstica plausível e mais provável seria:
Atrito pericárdico + Confusão mental + Hipertensão em jovem → Pensar em LES.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença multissistêmica que pode se manifestar agudamente com serosites (pericardite), sintomas neuropsiquiátricos e acometimento renal, mimetizando quadros infecciosos ou urêmicos.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é o protótipo das doenças autoimunes sistêmicas, caracterizado pela produção de autoanticorpos e formação de imunocomplexos. Sua apresentação clínica é extremamente variável, podendo afetar quase qualquer órgão. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos (como malar rash, artrite, serosites, citopenias e envolvimento neurológico) e laboratoriais (presença de FAN, anti-dsDNA, anti-Sm, entre outros). Neste caso específico, a agudização com sintomas gastrointestinais, neurológicos e cardíacos em um paciente jovem aponta para a necessidade de rastreio imunológico imediato. A pericardite (identificada pelo atrito) e a possível encefalopatia lúpica são manifestações graves que exigem corticoterapia em altas doses ou pulsoterapia, além de investigação de atividade renal, dada a hipertensão associada. O reconhecimento precoce dessas formas graves é crucial para reduzir a morbimortalidade.
O envolvimento do sistema nervoso central no LES, conhecido como lúpus neuropsiquiátrico, pode ocorrer devido a vasculite de pequenos vasos, autoanticorpos (como anti-P ribossomal) ou citocinas inflamatórias. Clinicamente, manifesta-se desde disfunção cognitiva leve e cefaleia até psicose, convulsões e estados confusionais agudos. É um diagnóstico de exclusão, exigindo o descarte de infecções, distúrbios metabólicos e uremia, especialmente em pacientes com potencial acometimento renal simultâneo.
O atrito pericárdico é o sinal físico patognomônico da pericardite aguda, uma forma de serosite comum no LES. No lúpus, a inflamação das membranas serosas pode causar dor torácica pleurítica e derrame pericárdico. A presença de atrito indica que as camadas visceral e parietal do pericárdio estão inflamadas e friccionando entre si. Em um paciente jovem com sintomas sistêmicos, a serosite é um critério clínico importante para o diagnóstico de LES segundo os critérios do ACR ou SLICC.
A hipertensão arterial em um paciente jovem previamente saudável sugere uma causa secundária. No LES, a hipertensão frequentemente reflete o acometimento renal (nefrite lúpica), que pode levar à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e redução da taxa de filtração glomerular. A combinação de hipertensão, sintomas neurológicos e serosite reforça a hipótese de uma doença autoimune sistêmica com múltiplos órgãos-alvo atingidos simultaneamente.
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