LES e Coração: A Pericardite como Manifestação Mais Comum

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença sistêmica que pode acometer também o sistema cardiovascular. Qual é a alteração cardíaca mais frequente nos pacientes com a doença?

Alternativas

  1. A) Endocardite verrucosa de Libman-Sacks
  2. B) Miocardite grave
  3. C) Pericardite, com ou sem derrame pericárdico
  4. D) Maior risco de doença coronária

Pérola Clínica

LES: Pericardite é a manifestação cardíaca mais comum, com ou sem derrame.

Resumo-Chave

A pericardite é a manifestação cardíaca mais frequente no Lúpus Eritematoso Sistêmico, ocorrendo em até 50% dos pacientes. Pode ser assintomática ou causar dor torácica pleurítica, e frequentemente cursa com derrame pericárdico, que geralmente é pequeno e não hemodinamicamente significativo.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica que pode afetar praticamente qualquer órgão, incluindo o sistema cardiovascular. As manifestações cardíacas são comuns e contribuem significativamente para a morbimortalidade dos pacientes. A pericardite, inflamação do pericárdio, é a alteração cardíaca mais frequente, ocorrendo em até 50% dos pacientes com LES, muitas vezes de forma subclínica ou assintomática. A fisiopatologia das manifestações cardíacas no LES envolve inflamação autoimune, deposição de imunocomplexos e vasculite. A pericardite lúpica é caracterizada pela inflamação do pericárdio, que pode levar à formação de derrame pericárdico. Embora a endocardite de Libman-Sacks seja uma lesão clássica e patognomônica do LES, ela é menos frequente que a pericardite. O diagnóstico da pericardite é feito clinicamente, com dor torácica e atrito pericárdico, e confirmado por ecocardiograma. O tratamento das manifestações cardíacas do LES depende da gravidade. A pericardite geralmente responde bem a anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e corticosteroides. Em casos de derrame pericárdico significativo ou tamponamento cardíaco, pode ser necessária pericardiocentese. O manejo do LES como um todo, com imunossupressores, é fundamental para controlar a atividade da doença e prevenir complicações cardíacas a longo prazo, como a aterosclerose acelerada, que aumenta o risco de doença coronariana.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da pericardite lúpica?

A pericardite lúpica pode ser assintomática ou manifestar-se com dor torácica pleurítica, que piora com a inspiração profunda e melhora ao inclinar-se para frente. Pode haver atrito pericárdico ao exame físico e, em casos de derrame significativo, sinais de tamponamento cardíaco.

Como é feito o diagnóstico da pericardite no LES?

O diagnóstico da pericardite no LES é baseado na clínica, achados do exame físico (atrito pericárdico) e exames complementares como eletrocardiograma (ECG), que pode mostrar supradesnivelamento difuso do segmento ST, e ecocardiograma, que confirma a presença de derrame pericárdico e avalia sua repercussão hemodinâmica.

Quais outras manifestações cardíacas podem ocorrer no LES?

Além da pericardite, o LES pode causar miocardite (inflamação do músculo cardíaco), endocardite de Libman-Sacks (lesões verrucosas nas valvas), aterosclerose acelerada com maior risco de doença coronariana, hipertensão pulmonar e vasculite coronariana. A pericardite, no entanto, é a mais comum.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo