Manifestações Pulmonares no LES: O Papel da TCAR

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 30 anos de idade, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico há 5 anos, comparece ao ambulatório de reumatologia com queixa de dispneia progressiva há 2 meses, acompanhada de dor torácica pleurítica e tosse seca. Relata episódios intermitentes de febre baixa e fadiga. Ao exame físico, apresenta murmúrios vesiculares diminuídos nos campos pulmonares inferiores e leve taquipneia. A radiografia de tórax revela opacidades bilaterais difusas. Os exames laboratoriais mostram proteína C-reativa e velocidade de hemossedimentação elevadas e baixos níveis de complemento. A paciente está em tratamento com hidroxicloroquina e prednisona em doses baixas. Identifique o exame complementar mais adequado para a paciente, nesse momento:

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de alta resolução.
  2. B) Angiotomografia computadorizada.
  3. C) Ecocardiograma transtorácico.
  4. D) Broncoscopia.

Pérola Clínica

Dispneia + Opacidades no LES → TCAR é o padrão-ouro para avaliar parênquima e interstício.

Resumo-Chave

A Tomografia Computadorizada de Alta Resolução (TCAR) é o exame mais adequado para avaliar o envolvimento do parênquima pulmonar no LES, permitindo diferenciar processos inflamatórios agudos de fibrose crônica.

Contexto Educacional

O envolvimento pleuropulmonar ocorre em 50-70% dos pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) ao longo da doença. A pleurite, com ou sem derrame, é a manifestação mais frequente, apresentando-se como dor pleurítica. No entanto, o acometimento do parênquima é mais grave. A pneumonite lúpica aguda mimetiza uma pneumonia infecciosa e requer exclusão rigorosa de agentes infecciosos antes do tratamento com pulsoterapia. A TCAR revolucionou a avaliação desses pacientes, permitindo identificar a 'Doença Pulmonar Intersticial' (DPI) associada ao LES, que embora menos comum que na Esclerose Sistêmica, impacta o prognóstico. O achado de baixos níveis de complemento e marcadores inflamatórios elevados, como no caso, reforça a atividade da doença sistêmica, corroborando a necessidade de uma avaliação detalhada do parênquima pulmonar para ajuste terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais as principais manifestações pulmonares do LES?

As manifestações são diversas e incluem pleurite (a mais comum), pneumonite lúpica aguda, hemorragia alveolar difusa, doença pulmonar intersticial crônica, hipertensão arterial pulmonar e a síndrome do pulmão encolhido (shrinking lung syndrome). O quadro clínico de dispneia progressiva e tosse seca, associado a opacidades na radiografia, sugere fortemente acometimento do parênquima ou interstício.

Por que a TCAR é preferível à radiografia simples no LES?

A radiografia de tórax tem baixa sensibilidade para detectar alterações intersticiais precoces ou sutil envolvimento parenquimatoso. A TCAR permite visualizar padrões específicos (como vidro fosco, reticulado ou consolidações) que ajudam a diferenciar entre infecção (comum em imunossuprimidos), pneumonite ativa e fibrose, orientando diretamente a intensidade da imunossupressão.

Quando indicar broncoscopia em pacientes com LES e dispneia?

A broncoscopia com lavado broncoalveolar (LBA) é indicada principalmente quando há suspeita de infecção oportunista ou para confirmar hemorragia alveolar difusa (presença de macrófagos com hemossiderina ou lavado progressivamente hemorrágico). No caso clínico apresentado, a TCAR é o próximo passo lógico para caracterizar as opacidades bilaterais antes de procedimentos invasivos.

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