TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Em relação ao lúpus eritematoso, assinale a alternativa incorreta:
Anticorpos IgG (Anti-Ro, Anti-La, Anti-RNP) atravessam a placenta e podem causar lúpus neonatal.
O diagnóstico de lúpus exige correlação clínico-laboratorial. É incorreto afirmar que o anti-U1-RNP não cruza a placenta; como IgG, ele atravessa e pode afetar o feto.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é o protótipo das doenças autoimunes multissistêmicas. A produção de autoanticorpos contra antígenos nucleares é a marca registrada da doença. O anti-dsDNA e o anti-Sm são os mais específicos, enquanto o anti-U1-RNP está associado à Doença Mista do Tecido Conjuntivo, mas também ocorre no LES. A compreensão da imunologia básica é vital: todas as IgGs maternas cruzam a placenta para fornecer imunidade passiva ao feto, mas no contexto de doenças autoimunes, isso permite a transferência de patologia. Clinicamente, o reconhecimento de lesões cutâneas crônicas ou subagudas e sua correlação com sintomas sistêmicos (como artrite e nefrite) orienta a agressividade do tratamento imunossupressor.
O anticorpo anti-DNA de dupla hélice (anti-dsDNA) é altamente específico para o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e possui uma forte correlação clínica com a atividade da doença, especialmente a nefrite lúpica. Títulos elevados de anti-dsDNA, frequentemente acompanhados por queda nos níveis de complemento (C3 e C4), são preditores de surtos de inflamação renal. Sua monitorização é útil tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento da resposta terapêutica na nefrite.
Sim, o anticorpo anti-U1-RNP pertence à classe das Imunoglobulinas G (IgG). Diferente da IgM, a IgG atravessa ativamente a barreira placentária através de receptores específicos (FcRn). Isso é clinicamente relevante pois a passagem de autoanticorpos maternos (especialmente anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, mas também anti-RNP) pode levar ao desenvolvimento de lúpus neonatal, caracterizado por lesões cutâneas e, mais gravemente, bloqueio cardíaco congênito.
O acometimento articular é uma das manifestações mais comuns do LES, ocorrendo em mais de 90% dos pacientes. Geralmente apresenta-se como uma poliartrite simétrica, migratória ou aditiva, acometendo pequenas articulações das mãos, punhos e joelhos. Embora classicamente descrita como não erosiva, pode causar deformidades redutíveis (Artropatia de Jaccoud) devido à frouxidão ligamentar e tenossinovite, diferenciando-se da Artrite Reumatóide, que é tipicamente erosiva.
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