Diagnóstico de LES: Papel do Anti-dsDNA e Anti-Sm

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente com 25 anos vem para atendimento apresentando fadiga intensa, perda de peso, artralgia e uma erupção cutânea em "asa de borboleta" no rosto. Durante a investigação você notou nos exames laboratoriais anemia, leucopenia e um aumento significativo de proteínas inflamatórias. O teste de anticorpo antinuclear (ANA) deu positivo. Considerando os achados clínicos e laboratoriais, qual dos seguintes anticorpos seria o mais específico e sensível para confirmar, nessa paciente, o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistemico (LES)?

Alternativas

  1. A) Fator Reumatoide (FR).
  2. B) Anticorpo Anti-Ro/SSA.
  3. C) Anticorpo Anti-DNA nativo (Anti-dsDNA).
  4. D) Anticorpo Anti-Sm.

Pérola Clínica

Anti-dsDNA = Alta especificidade + Correlação com atividade de doença (nefrite).

Resumo-Chave

No LES, o Anti-dsDNA é altamente específico e útil para monitorar a atividade da doença, enquanto o Anti-Sm é o mais específico de todos, embora menos sensível.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica crônica com apresentações clínicas variadas. O diagnóstico baseia-se na integração de achados clínicos e laboratoriais. A presença de anticorpos específicos é fundamental para a classificação e manejo do paciente. O Anti-dsDNA (DNA nativo) destaca-se por sua forte associação com a nefrite lúpica e por servir como marcador de atividade inflamatória. Quando os títulos de Anti-dsDNA aumentam e os níveis de complemento (C3 e C4) caem, há um risco iminente de 'flare' da doença. O manejo terapêutico envolve frequentemente o uso de hidroxicloroquina para todos os pacientes, associada a imunossupressores dependendo da gravidade do acometimento orgânico.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre Anti-dsDNA e Anti-Sm no lúpus?

O Anti-dsDNA é altamente específico para o LES e seus níveis costumam flutuar com a atividade da doença, especialmente na nefrite lúpica. Já o Anti-Sm é considerado o anticorpo mais específico para o LES (quase 100%), mas está presente em apenas 20-30% dos pacientes e seus níveis não variam significativamente com a atividade clínica, servindo mais para o diagnóstico do que para o monitoramento.

O FAN positivo confirma o diagnóstico de LES?

Não. O FAN (Fator Antinuclear) é um teste de triagem com sensibilidade superior a 95%, mas baixa especificidade, podendo ser positivo em outras doenças autoimunes, infecções e até em pessoas saudáveis. O diagnóstico de LES requer a combinação de critérios clínicos (como rash malar e artrite) e imunológicos específicos, não devendo ser baseado apenas no FAN.

Quais são os critérios de entrada para o diagnóstico de LES?

Segundo os critérios EULAR/ACR 2019, o critério de entrada obrigatório é um título de FAN ≥ 1:80 em células HEp-2. Se presente, somam-se pontos de critérios clínicos (como serosite, leucopenia, alopecia) e imunológicos (como Anti-dsDNA, Anti-Sm, hipocomplementenemia). Uma pontuação total ≥ 10 classifica o paciente como tendo LES.

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