UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Homem, 56 anos, com lúpus eritematosos sistêmico, apresenta quadro de febre. Não possui foco infeccioso aparente. Pode-se afirmar que o resultado do exame que sugere atividade da doença é:
Atividade de LES = ↑ Títulos de Anti-DNA nativo + ↓ Níveis de Complemento (C3/C4).
No Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), o Anti-DNA nativo é o marcador sorológico que melhor se correlaciona com a atividade da doença, especialmente a nefrite, enquanto o Anti-Sm é útil para o diagnóstico, mas não para monitorar atividade.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença autoimune multissistêmica crônica. A diferenciação entre atividade da doença e processos infecciosos é um dos maiores desafios clínicos, já que ambos podem cursar com febre. O uso de biomarcadores como o Anti-DNA nativo e o complemento é fundamental para guiar o ajuste da imunossupressão. O conhecimento dos critérios do ACR/SLICC e dos índices de atividade (como o SLEDAI) é essencial para a prática reumatológica.
O Anti-DNA nativo (dsDNA) é um anticorpo que apresenta alta especificidade para o LES e cujos títulos flutuam de acordo com a atividade inflamatória da doença, tendo forte correlação com o desenvolvimento de nefrite lúpica. Já o Anti-Sm (anti-Smith) é considerado o anticorpo mais específico para o diagnóstico de LES (marcador 'assinatura'), porém sua presença é estável ao longo do tempo, não servindo para monitorar se a doença está em atividade ou em remissão.
O consumo das frações do complemento (especialmente C3 e C4) é um marcador clássico de atividade no LES. Isso ocorre devido à formação de imunocomplexos que ativam a via clássica do complemento, levando à sua depleção sérica. A combinação de títulos elevados de Anti-DNA nativo com níveis baixos de C3 e C4 é um preditor robusto de 'flare' (crise) da doença, particularmente de envolvimento renal.
Além do Anti-DNA e queda do complemento, a atividade do LES pode se manifestar com alterações no hemograma, como leucopenia, linfopenia, anemia hemolítica autoimune e trombocitopenia. A velocidade de hemossedimentação (VHS) costuma estar elevada na atividade lúpica, enquanto a Proteína C Reativa (PCR) tende a ser normal ou discretamente elevada (se a PCR estiver muito alta, deve-se suspeitar fortemente de infecção sobreposta). No exame de urina, a presença de proteinúria, hematúria e cilindros celulares indica atividade renal.
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