MedEvo Simulado — Prova 2026
Isadora, uma jovem de 26 anos, procura atendimento médico com queixa de dor e inchaço em mãos e punhos de caráter simétrico há cerca de 3 meses, acompanhados de rigidez matinal que dura 20 minutos. Relata ainda o surgimento de manchas avermelhadas nas bochechas e no dorso do nariz após idas à praia, que demoram a desaparecer. Ao exame físico, apresenta eritema malar que poupa o sulco nasolabial e evidência de sinovite em articulações metacarpofalângicas. Os exames laboratoriais iniciais mostram: Hemoglobina 11,2 g/dL, Leucócitos 2.800/mm³, Plaquetas 145.000/mm³. O exame de urina de rotina revela proteinúria 2+ e 12 hemácias por campo, sem a presença de cilindros. O Fator Antinuclear (FAN) é reagente, 1:640, com padrão nuclear pontilhado fino. Sobre o diagnóstico e o manejo inicial dessa paciente, assinale a alternativa correta.
Suspeita de Nefrite Lúpica (proteinúria/hematúria) → Biópsia Renal + Hidroxicloroquina para todos.
O diagnóstico de LES exige correlação clínico-laboratorial. Alterações no sedimento urinário (proteinúria/hematúria) em pacientes lúpicos tornam a biópsia renal mandatória para guiar a terapia imunossupressora específica.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica, de natureza autoimune, caracterizada pela produção de autoanticorpos e comprometimento multissistêmico. O caso clínico apresenta uma paciente jovem com manifestações clássicas: eritema malar (fotossensibilidade), artrite simétrica de pequenas articulações, alterações hematológicas (leucopenia e anemia) e evidência de nefrite (proteinúria e hematúria). A abordagem diagnóstica moderna utiliza os critérios ACR/EULAR 2019, onde a pontuação ≥ 10 pontos, iniciada obrigatoriamente por um FAN positivo, classifica a doença. A nefrite lúpica é uma das complicações mais graves, ocorrendo em até 50% dos pacientes. A biópsia renal é indispensável não apenas para o diagnóstico, mas para a classificação histológica que define o prognóstico e a agressividade do tratamento imunossupressor. O uso de antimaláricos (hidroxicloroquina) é recomendado para todos os pacientes por seu efeito protetor sistêmico.
A biópsia renal é o padrão-ouro para o manejo da nefrite lúpica e deve ser solicitada sempre que houver evidência clínica de acometimento renal, como proteinúria persistente acima de 500 mg em 24 horas, presença de cilindros hemáticos ou hematúria glomerular persistente, ou ainda elevação inexplicada da creatinina sérica. A importância reside no fato de que as manifestações clínicas e laboratoriais não permitem prever com precisão a classe histológica da lesão (Classes I a VI da ISN/RPS). O tratamento varia drasticamente entre as classes: as formas proliferativas (Classes III e IV) exigem imunossupressão agressiva com corticosteroides em altas doses associados a micofenolato de mofetila ou ciclofosfamida para evitar a progressão para insuficiência renal terminal. Já a Classe V (membranosa) pode requerer abordagens distintas, e as classes iniciais podem necessitar apenas de controle rigoroso da pressão arterial e uso de antimaláricos.
A hidroxicloroquina é considerada a pedra angular no tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e deve ser prescrita para todos os pacientes, exceto na presença de contraindicações absolutas, como maculopatia pré-existente. Seus benefícios são amplos e bem documentados: ela reduz a frequência e a gravidade das crises (flares), aumenta a sobrevida a longo prazo, possui efeitos antitrombóticos e hipolipemiantes, e reduz o risco de danos orgânicos permanentes, incluindo a progressão da nefrite lúpica. Além disso, o uso contínuo de antimaláricos durante a gestação em pacientes lúpicas é seguro e reduz o risco de bloqueio cardíaco congênito no feto e de atividade da doença na mãe. O monitoramento oftalmológico anual com campo visual e tomografia de coerência óptica (OCT) é necessário para detectar precocemente a toxicidade retiniana, que é rara, mas cumulativa.
O Fator Antinuclear (FAN) é um teste de triagem com altíssima sensibilidade para o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), mas com especificidade limitada, uma vez que pode ser positivo em outras doenças autoimunes, infecções crônicas, neoplasias e até em indivíduos saudáveis. No contexto do LES, um FAN negativo torna o diagnóstico muito improvável. O padrão nuclear pontilhado fino, como o apresentado no caso, é comum e pode estar associado a anticorpos como anti-Ro (SS-A) e anti-La (SS-B). No entanto, o padrão isoladamente não confirma o diagnóstico. Para a classificação de LES segundo os critérios ACR/EULAR 2019, o FAN reagente em título ≥ 1:80 é o critério de entrada obrigatório. A partir daí, somam-se pontos baseados em domínios clínicos (como eritema malar, artrite e nefrite) e imunológicos (como anti-dsDNA, anti-Sm e hipocomplementenemia).
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