UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2015
Mulher de 24 anos, G3P1A2, deu entrada numa emergência hospitalar com queixa de edema generalizado há cerca de 20 dias, dores articulares, vermelhidão em face e redução de volume urinário. Refere ter tido hipertensão arterial na última gestação e que abortos prévios não foram investigados. Ao exame físico, apresentava rash malar em “asa de borboleta”, úlcera em palato, petéquias em membros inferiores e edema generalizado. PA = 150 x 100 mmHg. Exames complementares iniciais: Hb = 7.5 g/dl; Ht = 21%; plaquetas = 80.000; leucócitos = 4.100, sem desvios; ureia = 120 mg/dl; creatinina = 3.5 mg/dl; K = 6.1 mEq/L; albumina sérica = 2.9 g/dl. Urina EAS com proteínas: 3+, hemácias: 2+; leucócitos: 23/campo e presença de cilindros granulosos. Radiografia de tórax mostra área cardíaca pouco aumentada com derrame pleural discreto à direita. Nesse caso, é CORRETO afirmar que se trata provavelmente de um quadro de:
LES + nefrite + abortos + trombocitopenia + anemia + rash malar = Lúpus Eritematoso Sistêmico com Nefrite Lúpica e SAF.
A paciente apresenta múltiplos critérios para Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), incluindo manifestações cutâneas (rash malar, úlcera em palato), articulares, renais (nefrite com insuficiência renal aguda, proteinúria, hematúria, cilindros), hematológicas (anemia, trombocitopenia, leucopenia) e serosite (derrame pleural). A história de abortos prévios e hipertensão gestacional sugere fortemente a associação com Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF), uma comorbidade comum no LES.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, com prevalência maior em mulheres jovens. Sua apresentação clínica é heterogênea, podendo envolver pele, articulações, rins, sistema nervoso, coração, pulmões e células sanguíneas. O reconhecimento precoce de suas manifestações é crucial para um manejo adequado e para evitar danos irreversíveis aos órgãos. A fisiopatologia do LES envolve a produção de autoanticorpos contra componentes nucleares, levando a inflamação e dano tecidual. O diagnóstico é clínico-laboratorial, baseado em critérios estabelecidos. A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves, com impacto significativo na morbimortalidade, caracterizada por proteinúria, hematúria, cilindros e disfunção renal. A associação com a Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF) deve ser sempre investigada em pacientes com LES que apresentam eventos trombóticos ou complicações gestacionais, como abortos de repetição. O tratamento do LES é individualizado, visando controlar a atividade da doença, prevenir surtos e minimizar danos aos órgãos. Inclui imunossupressores, corticosteroides e, em casos de SAF, anticoagulação. O prognóstico depende da gravidade do envolvimento orgânico, especialmente renal, e da resposta ao tratamento. A monitorização contínua é essencial para detectar precocemente exacerbações e complicações.
O LES é diagnosticado pela presença de critérios clínicos (rash malar, úlceras orais, artrite, serosite, envolvimento renal, neurológico, hematológico) e imunológicos (FAN, anti-DNA, anti-Sm, etc.). A paciente apresenta múltiplos critérios clínicos e laboratoriais sugestivos.
A SAF é caracterizada por eventos trombóticos (arteriais ou venosos) e/ou morbidade gestacional (abortos de repetição, pré-eclâmpsia grave) na presença de anticorpos antifosfolipídeos. É uma comorbidade frequente no LES, agravando o prognóstico.
A nefrite lúpica grave é indicada por proteinúria significativa (3+), hematúria (2+), presença de cilindros granulosos, elevação de ureia e creatinina, e distúrbios eletrolíticos como hipercalemia, refletindo lesão renal aguda.
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