Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Mulher de 41 anos, em acompanhamento por lúpus eritematoso sistémico, apresenta febre persistente, lesões cutâneas purpúricas e queda abrupta de plaquetas (18.000/mm³). O exame de urina mostra proteinúria e hematúria. Qual é a conduta mais adequada neste contexto?
LES + atividade grave (nefrite/plaquetopenia) → Pulsoterapia com Metilprednisolona.
Em crises graves de LES com envolvimento de órgãos-alvo (rins) ou citopenias severas, a pulsoterapia com metilprednisolona é a conduta inicial para controle rápido da inflamação.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica caracterizada pela produção de autoanticorpos e deposição de imunocomplexos. O manejo das crises agudas depende da gravidade e dos órgãos acometidos. A presença de febre, lesões purpúricas (sugerindo vasculite ou plaquetopenia) e alterações sedimentares urinárias (proteinúria/hematúria) configura um quadro de alta atividade de doença. A pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa é a estratégia de escolha para induzir a remissão rápida. Ela atua estabilizando membranas lisossomais, diminuindo a permeabilidade capilar e reduzindo a ativação de linfócitos T e B. Após a pulsoterapia, o tratamento geralmente segue com doses orais de prednisona e a introdução ou ajuste de agentes poupadores de corticoide, como a ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila, dependendo da classificação histológica da nefrite.
A pulsoterapia com metilprednisolona (geralmente 500mg a 1g por 3 dias) está indicada em manifestações graves do LES que ameaçam a vida ou a função de órgãos. Isso inclui nefrite lúpica rapidamente progressiva, envolvimento do sistema nervoso central (neurolúpus), vasculites graves, hemorragia alveolar e citopenias hematológicas severas, como a trombocitopenia grave (plaquetas < 20.000/mm³) ou anemia hemolítica autoimune fulminante. O objetivo é obter um efeito anti-inflamatório e imunossupressor imediato através de mecanismos genômicos e não genômicos dos corticoides em altas doses.
Esta é uma das tarefas mais difíceis na reumatologia. A febre no LES pode ser decorrente da própria atividade da doença ou de infecção secundária à imunossupressão. Marcadores como a Proteína C Reativa (PCR) tendem a estar baixos ou normais na atividade do LES (exceto se houver serosite), enquanto estão elevados em infecções. Por outro lado, o consumo de complemento (C3 e C4) e o aumento dos títulos de anti-DNA nativo sugerem fortemente atividade lúpica. No caso clínico apresentado, a presença de proteinúria, hematúria e plaquetopenia grave aponta fortemente para um 'flare' (crise) da doença.
A plasmaférese não é um tratamento de primeira linha para a maioria das manifestações do LES. Ela é reservada para situações específicas e refratárias, como a Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) associada ao lúpus, síndrome catastrófica do anticorpo antifosfolípide, ou casos gravíssimos de neurolúpus e hemorragia alveolar que não respondem à pulsoterapia e ciclofosfamida. No cenário de nefrite e plaquetopenia imune simples, o corticoide em altas doses é significativamente mais eficaz e prático como abordagem inicial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo