FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica com características inflamatórias e multissistêmicas. Essa condição afeta diversos órgãos e sistemas, e a presença de autoanticorpos específicos ajuda no diagnóstico e na diferenciação entre as formas da doença. Sobre o LES, assinale a alternativa correta:
Anti-histona (+) + Exposição medicamentosa = Lúpus Induzido por Drogas.
O lúpus induzido por drogas é uma síndrome autoimune desencadeada por medicamentos, caracterizada pela presença de anticorpos anti-histona e ausência típica de comprometimento visceral grave.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é o protótipo das doenças autoimunes sistêmicas, caracterizado pela perda de autotolerância e produção de uma vasta gama de autoanticorpos. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos (cutâneos, articulares, hematológicos, renais) e laboratoriais. A imunofluorescência indireta para FAN é o teste inicial, mas a especificidade diagnóstica reside em anticorpos como o anti-dsDNA e o anti-Sm. O lúpus induzido por drogas (DILE) representa uma variante importante onde o gatilho ambiental (medicamento) é identificável. O achado laboratorial clássico é a positividade do anticorpo anti-histona em mais de 90% dos casos, com anti-dsDNA e anti-Sm geralmente negativos. O reconhecimento dessa condição é vital, pois a suspensão do fármaco é o pilar do tratamento, evitando o uso desnecessário de imunossupressores potentes.
Diversos fármacos podem desencadear o lúpus induzido por drogas (DILE), sendo os de maior risco a hidralazina (usada para hipertensão) e a procainamida (antiarrítmico). Outros medicamentos frequentemente implicados incluem a isoniazida, minociclina, quinidina e, mais recentemente, os agentes anti-TNF (como infliximabe e etanercepte). O DILE geralmente se manifesta após meses ou anos de uso contínuo da droga e tende a regredir espontaneamente após a suspensão do agente causal. Diferente do LES idiopático, o DILE raramente causa doença renal ou do sistema nervoso central, predominando sintomas constitucionais, artralgia e serosite.
O anticorpo anti-DNA de fita dupla (anti-dsDNA) é um dos marcadores diagnósticos mais importantes e específicos para o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), estando incluído nos critérios de classificação da ACR e EULAR. Sua presença correlaciona-se fortemente com a atividade da doença, especialmente a nefrite lúpica. Já o anticorpo anti-DNA de fita simples (anti-ssDNA) é inespecífico, podendo ser encontrado em diversas outras doenças autoimunes, infecções e até em indivíduos saudáveis, não possuindo utilidade clínica prática para o diagnóstico confirmatório de lúpus.
Não, o anticorpo anti-Sm (anti-Smith) não é o mais sensível, mas sim o mais específico para o LES. Enquanto o FAN (Fator Antinuclear) possui uma sensibilidade próxima a 95-100% (sendo o teste de triagem ideal), sua especificidade é baixa. O anti-Sm, por outro lado, está presente em apenas 20-30% dos pacientes com lúpus, mas sua presença é quase patognomônica da doença. Portanto, um anti-Sm negativo não exclui LES, mas um resultado positivo confirma o diagnóstico com alta segurança clínica.
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