HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
O acometimento pleuropulmonar em pacientes com doenças autoimunes sistêmicas é comum e pode levar ao aumento da morbidade e mortalidade. O diagnóstico precoce dessas manifestações oferece a melhor chance de intervir e melhorar o prognóstico. A respeito desse assunto, julgue o item.Em indivíduos com lúpus eritematoso sistêmico, a hemorragia pulmonar é a manifestação pleuropulmonar mais comum, seguida da pneumonite lúpica.
Manifestação pulmonar mais comum no LES = Pleurite (com ou sem derrame pleural).
Embora a hemorragia alveolar e a pneumonite lúpica sejam graves e agudas, a pleurite é a manifestação pleuropulmonar mais frequente no lúpus eritematoso sistêmico.
O envolvimento pleuropulmonar no Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é vasto e pode atingir qualquer componente do sistema respiratório. A pleurite é a marca registrada, frequentemente manifestando-se como dor pleurítica bilateral. Outras condições incluem a pneumonite lúpica aguda, a doença pulmonar intersticial crônica, a síndrome do pulmão encolhido (shrinking lung syndrome) e a hipertensão arterial pulmonar. A hemorragia alveolar difusa, embora rara, representa uma emergência reumatológica que exige tratamento agressivo com pulsoterapia de metilprednisolona e, frequentemente, ciclofosfomida, rituximabe ou plasmaférese. O reconhecimento precoce dessas manifestações é crucial, pois o pulmão é um órgão alvo importante que impacta diretamente a morbimortalidade e a qualidade de vida do paciente com LES.
A pleurite, com ou sem derrame pleural, é a manifestação pleuropulmonar mais comum no LES, ocorrendo em 45% a 60% dos pacientes ao longo da doença. O derrame pleural lúpico é tipicamente um exsudato, com níveis de glicose semelhantes aos séricos e pH normal, o que ajuda a diferenciá-lo de outras causas como artrite reumatoide (onde a glicose é muito baixa) ou infecções.
A hemorragia alveolar difusa (HAD) é uma complicação rara (< 2%), mas extremamente grave e com alta mortalidade. Caracteriza-se clinicamente por dispneia súbita, queda da hemoglobina e infiltrados alveolares difusos na radiografia. A hemoptise pode estar ausente em até um terço dos casos, tornando o diagnóstico dependente de lavado broncoalveolar progressivamente hemorrágico.
A diferenciação é difícil, pois ambas apresentam febre, tosse e infiltrados pulmonares. A pneumonite lúpica aguda é um diagnóstico de exclusão. Frequentemente, é necessário realizar culturas de escarro, sangue e lavado broncoalveolar para descartar patógenos oportunistas, especialmente em pacientes já imunossuprimidos, antes de iniciar pulsoterapia com corticoides.
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