Lúpus Eritematoso Sistêmico: Diagnóstico e Manifestações

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 16 anos, sexo feminino, com quadro de anemia, astenia, febre, erupção cutânea eritematosa em face, artrite em punhos e tornozelos, linfadenopatia cervical, com fator antinuclear (FAN) reagente e anti-dsDNA reagente em altos títulos, além de importante consumo das frações C3, C4 e CH50 do complemento. EAS com cilindros hemáticos e relação Proteína/Creatinina > 0,5 na urina. Das alternativas abaixo, qual melhor representa o diagnóstico:

Alternativas

  1. A) Linfoma de Hodgkin.
  2. B) Lúpus eritematoso sistêmico.
  3. C) Artrite reumatoide.
  4. D) Doença de Behçet.
  5. E) Dermatomiosite.

Pérola Clínica

LES: erupção malar, artrite, anemia, nefrite, FAN/anti-dsDNA +, consumo C3/C4.

Resumo-Chave

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica. A presença de manifestações clínicas diversas (cutâneas, articulares, hematológicas, renais) associada a autoanticorpos específicos (FAN, anti-dsDNA) e consumo de complemento é altamente sugestiva do diagnóstico. A nefrite lúpica é uma complicação grave, indicada por cilindros hemáticos e proteinúria.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, de etiologia complexa, que afeta predominantemente mulheres em idade fértil. Sua prevalência varia, mas é uma das doenças reumatológicas mais comuns, com manifestações clínicas extremamente heterogêneas, o que torna seu diagnóstico um desafio. A compreensão de seus critérios diagnósticos e a capacidade de integrar achados clínicos e laboratoriais são cruciais para o residente. A fisiopatologia do LES envolve a perda de tolerância imunológica, levando à produção de autoanticorpos contra diversos componentes celulares, como o DNA e proteínas nucleares. A formação de imunocomplexos e sua deposição em tecidos causam inflamação e dano orgânico. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas constitucionais (febre, astenia), artrite, lesões cutâneas (erupção malar, fotossensibilidade), serosite, alterações hematológicas (anemia, leucopenia) e, especialmente, envolvimento renal ou neurológico. A investigação laboratorial com FAN, anti-dsDNA, anti-Sm, e avaliação do complemento (C3, C4) é fundamental. O tratamento do LES é individualizado, visando controlar a atividade da doença, prevenir danos orgânicos e melhorar a qualidade de vida. Inclui anti-inflamatórios não esteroides, antimaláricos (hidroxicloroquina), corticosteroides e imunossupressores (azatioprina, micofenolato de mofetila, ciclofosfamida), dependendo da gravidade e dos órgãos acometidos. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço terapêutico, mas a nefrite lúpica e o envolvimento do sistema nervoso central ainda representam desafios importantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)?

Os critérios diagnósticos do LES incluem manifestações clínicas (erupção malar, artrite, serosite, lesões renais, neurológicas, hematológicas) e imunológicas (FAN, anti-dsDNA, anti-Sm, consumo de complemento). A presença de pelo menos 4 critérios, incluindo um clínico e um imunológico, ou biópsia renal compatível com nefrite lúpica e FAN positivo, sugere o diagnóstico.

Qual a importância do anti-dsDNA e do consumo de complemento no LES?

O anti-dsDNA é um anticorpo altamente específico para LES e seus títulos geralmente se correlacionam com a atividade da doença, especialmente a nefrite lúpica. O consumo das frações C3 e C4 do complemento também indica atividade da doença, refletindo a formação de imunocomplexos.

Como a nefrite lúpica se manifesta e qual sua relevância prognóstica?

A nefrite lúpica pode se manifestar com proteinúria, hematúria, cilindros hemáticos, hipertensão e insuficiência renal. É uma das manifestações mais graves do LES, sendo um preditor importante de morbimortalidade e exigindo tratamento imunossupressor agressivo.

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