Lúpus Eritematoso Sistêmico: Diagnóstico e Manifestações Renais

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 25 anos se queixa de edema generalizado iniciado há 2 semanas, que evoluiu com piora progressiva. Relata hiporexia e astenia nesse período. Desconhece ser portadora de doenças atuais ou prévias e não fez uso de quaisquer medicamentos ou drogas. Ao exame físico, PA: 160x92mmHg, FC: 97bpm, FR: 22ipm, SpO2 98% (em ar ambiente). As mucosas estão descoradas, ictéricas  hidratadas. Há edema na face, pálpebras e membros inferiores. O exame respiratório revela sons inaudíveis em ambas as bases do hemitórax Exames de laboratório: Material Sangue: Hb 6,8g/dL; Hct: 23,3%; VCM: 98fL; HCM: 31pg; CHCM: 32g/dL; RDW: 18,3%; LG: 3.400/mm³; Neutrófilos segmentados: 1.234/mm³; Linfócitos: 659/mm³; Plq.: 201.000/mm³; PCR: 28mg/dL; FAN reagente: 1:640 padrão nuclear homogêneo; anti-DNA reagente; anti-SSA reagente; anti SSB reagente; anti-Sm reagente; anca reagente; C3 34mg/dL (90-170mg/dL); C4 2mg/dL (VR: 12-36mg/dL); anti-Citomegalovírus IGM 1,3 (VR reagente >=1) IgG 450 (VR reagente >=5,9). Exame de urina: densidade 1.020; ph 6,0; nitrito negativo; proteínas ++++; hemoglobina +++; 4 piócitos/campo, 145 hemacias/campo; presença de cilindros hemáticos. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico etiológico MAIS PROVÁVEL para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Citomegalovirose sistêmica.
  2. B) Lúpus eritematoso sistêmico.
  3. C) Síndrome de Sjogren.
  4. D) Vasculite associada ao ANCA.

Pérola Clínica

Lúpus Eritematoso Sistêmico: FAN + anti-DNA + anti-Sm + hipocomplementemia + nefrite ativa = diagnóstico provável.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clínico e laboratorial clássico de Lúpus Eritematoso Sistêmico com acometimento renal grave (nefrite lúpica), evidenciado por proteinúria, hematúria, cilindros hemáticos e hipocomplementemia acentuada, além de anemia e pancitopenia. A presença de anti-DNA e anti-Sm é altamente específica para o diagnóstico.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, mais comum em mulheres jovens, caracterizada pela produção de autoanticorpos e formação de imunocomplexos que causam inflamação e dano tecidual. Sua prevalência varia, sendo uma das doenças reumatológicas mais desafiadoras devido à sua heterogeneidade clínica e potencial de acometimento de múltiplos órgãos, incluindo rins, pele, articulações, sistema nervoso e sangue. O reconhecimento precoce é crucial para evitar danos irreversíveis. O diagnóstico do LES é complexo e baseia-se em uma combinação de achados clínicos e laboratoriais. A presença de FAN positivo em altos títulos é um rastreio importante, mas a especificidade é conferida por autoanticorpos como anti-DNA de dupla hélice e anti-Sm, que são altamente preditivos de LES. A hipocomplementemia (níveis baixos de C3 e C4) é um forte indicador de atividade da doença, especialmente em nefrite lúpica. A nefrite lúpica, uma das manifestações mais graves, é caracterizada por proteinúria, hematúria e cilindros hemáticos na urina, exigindo biópsia renal para classificação e direcionamento terapêutico. O tratamento do LES é individualizado e visa controlar a inflamação, prevenir surtos e minimizar danos a órgãos. Inclui imunossupressores como corticosteroides, hidroxicloroquina e agentes biológicos. Para nefrite lúpica, a terapia de indução e manutenção é agressiva, com drogas como ciclofosfamida ou micofenolato mofetil. O prognóstico melhorou significativamente com o avanço das terapias, mas o acompanhamento rigoroso é essencial para monitorar a atividade da doença e gerenciar as comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Lúpus Eritematoso Sistêmico?

O diagnóstico de LES é clínico e laboratorial, baseado em critérios como artrite, serosite, lesões cutâneas, alterações hematológicas, renais e neurológicas, além de autoanticorpos como FAN, anti-DNA e anti-Sm.

Qual a importância da hipocomplementemia no Lúpus?

A hipocomplementemia (C3 e C4 baixos) é um marcador de atividade da doença, especialmente em casos de nefrite lúpica e vasculite, indicando consumo de complemento por imunocomplexos.

Como a nefrite lúpica se manifesta e é diagnosticada?

A nefrite lúpica manifesta-se com proteinúria, hematúria, hipertensão e disfunção renal. O diagnóstico é confirmado por biópsia renal, que classifica a glomerulonefrite e guia o tratamento.

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