UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Mulher de 35 anos, hígida, relatou aparecimento de lesões purpúricas nos membros inferiores e sangramento ao escovar os dentes iniciados há quinze dias. No exame físico, havia esplenomegalia e linfadenopatia de região cervical de 1,5 a 2cm, móveis, indolores e sem sinais flogísticos. O laboratório revela hemoglobina = 10g/dL, leucócitos = 4.200cels/mm³ e plaquetas = 20.000/mm³. No exame de urina, verificaram-se 20 a 30 hemácias por campo, dismorfismo eritrocitário e cilindros. O diagnóstico mais provável é de púrpura trombocitopênica:
Plaquetopenia + Hematúria dismórfica + Linfadenopatia em mulher jovem → Pensar em LES (Colagenose).
A presença de citopenias associada a sedimento urinário ativo (nefrite) e linfadenopatia em mulher jovem sugere fortemente uma doença sistêmica autoimune, como o Lúpus.
O caso clínico descreve uma mulher jovem com manifestações em múltiplos domínios: hematológico (plaquetopenia e anemia), linfonodal (linfadenopatia e esplenomegalia) e renal (hematúria dismórfica e cilindros). Esta combinação é altamente sugestiva de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), onde a trombocitopenia é mediada por mecanismos imunes (PTI secundária). A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do LES e requer diagnóstico precoce através do sedimento urinário e, frequentemente, biópsia renal. O termo 'colagenose' é uma denominação genérica para doenças do tecido conjuntivo, sendo o LES o exemplo clássico que se encaixa perfeitamente na descrição de acometimento multissistêmico em mulheres em idade fértil.
A PTI primária é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por trombocitopenia isolada sem outras causas óbvias. Quando a plaquetopenia vem acompanhada de anemia, leucopenia, linfadenopatia, esplenomegalia ou alterações no sedimento urinário (como hematúria dismórfica e cilindros), deve-se investigar causas secundárias, sendo o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) a colagenose mais comum que cursa com esse quadro multissistêmico.
O dismorfismo eritrocitário e a presença de cilindros hemáticos no exame de urina são marcadores de hematúria glomerular. Isso indica que o sangramento provém do parênquima renal (glomérulo), sugerindo uma glomerulonefrite. No contexto de uma mulher jovem com púrpura, isso aponta para nefrite lúpica, uma manifestação grave do LES.
Embora a PTI primária geralmente não apresente esplenomegalia ou linfadenopatia significativa, essas manifestações são comuns no LES e em doenças linfoproliferativas. No caso clínico, esses achados reforçam a natureza sistêmica da doença, afastando a hipótese de uma destruição plaquetária isolada e direcionando a investigação para doenças autoimunes ou neoplásicas.
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