PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Mulher, 35 anos de idade, comparece ao ambulatório para investigação de dores articulares persistentes, principalmente em mãos e punhos, há cerca de 6 meses. Relata fadiga constante, emagrecimento não intencional de 3kg, nesse período, e episódios de febre baixa intermitente. Refere aparecimento de manchas avermelhadas no rosto após exposição ao sol e queda de cabelo difusa. Ao exame físico, apresenta artrite em articulações metacarpofalângicas e interfalângicas proximais, além de leve edema nas mãos. Exames laboratoriais prévios mostraram hemoglobina: 11,2g/dL, plaquetas: 120.000/mm³ e leucócitos: 3.800/mm³.Responda de acordo com a European League Against Rheumatism e a American College of RheumatologyDiante desse caso, indique a medida não farmacológica mais importante nesse momento:
LES + Fotossensibilidade → Fotoproteção rigorosa (FPS >30) para evitar flares sistêmicos.
A radiação UV induz apoptose de queratinócitos e liberação de autoantígenos, podendo desencadear não apenas lesões cutâneas, mas também crises sistêmicas graves no LES.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é o protótipo das doenças autoimunes sistêmicas, caracterizado pela produção de autoanticorpos e deposição de imunocomplexos. A fotossensibilidade é uma marca registrada, presente em cerca de 70-80% dos pacientes. O manejo envolve obrigatoriamente a educação do paciente sobre medidas comportamentais, sendo a fotoproteção a mais eficaz para prevenir recidivas. Farmacologicamente, os antimaláricos (hidroxicloroquina) são recomendados para todos os pacientes, salvo contraindicações, por reduzirem o número de crises e a mortalidade a longo prazo. O controle de fatores de risco cardiovascular e a suplementação de Vitamina D também são pilares importantes do tratamento não farmacológico.
A radiação ultravioleta (UV) causa danos ao DNA celular e apoptose dos queratinócitos. Em indivíduos com LES, há uma deficiência no clareamento dessas células mortas, expondo antígenos nucleares (como DNA e proteínas Ro/La) ao sistema imune. Isso gera uma resposta inflamatória local e sistêmica, com produção de autoanticorpos e ativação do interferon tipo I, resultando em exacerbação da doença em diversos órgãos.
Os pacientes devem utilizar protetor solar de amplo espectro (UVA e UVB) com FPS no mínimo 30, aplicado diariamente mesmo em dias nublados ou ambientes fechados com luz fluorescente. Além disso, recomenda-se o uso de barreiras físicas como chapéus, roupas com proteção UV e evitar a exposição solar direta nos horários de pico (10h às 16h).
O critério de entrada obrigatório é um título de FAN ≥ 1:80. A partir daí, somam-se pontos em domínios clínicos (febre, artrite, alopecia, rash malar, serosite, manifestações renais e neurológicas) e imunológicos (anticorpos anti-DNA, anti-Sm, antifosfolípides, consumo de complemento). Uma pontuação ≥ 10 confirma o diagnóstico de LES.
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